
Nesta segunda-feira, 5, completa-se um mês do retorno do governador Wanderlei Barbosa ao comando do Palácio Araguaia. O período, embora curto, foi suficiente para revelar o tom que o governador decidiu imprimir a este novo momento: cautela, reorganização e sinais claros de retomada de agenda própria.
Desde que reassumiu, Wanderlei optou por movimentos calculados. Reconduziu nomes de sua confiança à equipe, promoveu ajustes pontuais e evitou gestos bruscos. O discurso e a prática indicaram a preocupação em revisar decisões tomadas durante a gestão interina de Loureis Moreira, especialmente aquelas que impactaram diretamente políticas públicas sensíveis e obras estruturantes.
Um dos gestos mais simbólicos desse primeiro mês foi a retomada do ProJovem, programa voltado à juventude e que havia sido cancelado pela gestão interina. A decisão foi lida nos bastidores como um recado político e administrativo: agendas consideradas prioritárias por Wanderlei voltariam a ter centralidade. No mesmo sentido, o governador anunciou a retomada de mais de 100 obras na área da educação, setor que sofreu com paralisações e incertezas recentes.
Em seus discursos, Wanderlei Barbosa não escondeu o incômodo com o cenário encontrado. Chegou a lamentar publicamente a interrupção de diversas obras, reforçando a narrativa de que o Estado perdeu tempo e ritmo. Ao circular por agendas de governo e pelo próprio Palácio Araguaia, buscou transmitir normalidade institucional e presença política, dois ativos fundamentais após um período de instabilidade.
Outro ponto que marcou esse retorno foi o gesto político direcionado à base aliada. Wanderlei fez questão de demonstrar parceria e lealdade aos deputados que permaneceram ao seu lado durante o momento mais delicado. O ato simbólico de só retornar ao Palácio acompanhado desses parlamentares foi mais do que protocolar: foi um recado claro sobre quem esteve presente quando o apoio era decisivo.
Passado esse primeiro mês, o governo entra agora em uma fase de expectativa. 2026 será um ano decisivo para Wanderlei Barbosa, não apenas do ponto de vista administrativo, mas, sobretudo, político. Os próximos passos, as articulações, as alianças e o rumo que dará às suas movimentações serão observados com lupa por aliados, adversários e pela sociedade tocantinense.
A cautela inicial cumpriu seu papel. Resta saber como o governador transformará esse período de reorganização em estratégia, ação e resultados em um ano que promete ser determinante para o futuro do seu governo e do Estado. Espera-se agora os movimentos políticos do governador sobre as eleições deste ano.