
O aposentado Nivaldo Ruiz, de 83 anos, deve passar por uma nova cirurgia após sofrer graves ferimentos no braço e nas mãos ao ser atacado por um cachorro da raça pitbull na noite de Natal, na Quadra 606 Sul, em Palmas. A família relata que ele é diabético, o que torna a cicatrização mais difícil, e que há risco de necrose e até de perda do braço, segundo a neta, Lorena Ruiz.
Nivaldo sofreu fratura exposta em um dos braços, perdeu parte de dois dedos da mão esquerda e um da mão direita, após ser mordido pelo animal quando descia de um carro no dia 25 de dezembro de 2025. Ele foi socorrido por familiares e levado para um hospital particular, onde passou por cirurgia de emergência e agora utiliza um curativo protetor conhecido como Figueiredo, com fixadores metálicos nos dedos por pelo menos seis semanas, antes de um segundo procedimento com curativo a vácuo para auxiliar na recuperação.
A neta explicou que o quadro exige cuidado redobrado: como o idoso é diabético, qualquer ferimento tem cicatrização lenta e há possibilidade de necrose. “Corre o risco de necrosar e perder também o braço”, afirmou.
Como foi o ataque
Segundo a família, o cachorro já vinha correndo atrás de um jovem na rua quando se aproximou do carro em que estavam o esposo de Lorena, a filha do casal e Nivaldo. O idoso tentou correr em direção ao portão de um vizinho, onde havia crianças e adultos numa confraternização de Natal, mas, por causa da idade e dificuldade de locomoção, não conseguiu se proteger a tempo e acabou derrubado e atacado pelo cão.
Moradores ajudaram a afastar o animal e prestar os primeiros socorros até a chegada do atendimento médico. A neta afirma que, logo após o ataque, os responsáveis recolheram o cachorro, mas não prestaram assistência à vítima.
Responsabilização da tutora e investigação
A tutora do cachorro, uma mulher de 31 anos, foi levada pela Polícia Militar à Central de Flagrantes, onde prestou depoimento e afirmou que o cachorro havia fugido de casa antes do incidente. Um boletim de ocorrência foi registrado, e o caso é investigado como lesão corporal culposa, na 1ª Delegacia Especializada de Repressão às Infrações de Menor Potencial Ofensivo (1ª Deimpo), em Palmas. O nome da tutora não foi divulgado.
Moradores relatam outros ataques
Moradores da 606 Sul relatam que o medo já faz parte da rotina por causa do mesmo animal. A aposentada Aparecida Lurdes Souza contou que o pitbull já havia avançado sobre outras cinco pessoas, incluindo o neto dela, de 5 anos, que foi mordido na mão. Ela também cita o ataque a uma motociclista, derrubada e mordida nas pernas, além de um rapaz que teria sido atacado no mesmo horário em que o cão avançou contra várias pessoas ao mesmo tempo.
A moradora cobra medidas para garantir segurança na quadra. Para ela, quem cria cães de grande porte precisa reforçar os cuidados: “Cada um tem direito de criar seus animais, mas que sejam animais dóceis ou, se tem tanto amor pelo pitbull, que coloque em um lugar seguro onde não vai atacar as pessoas”.