
Maju Cotrim
O cenário político do Tocantins para as eleições deste ano traz um debate que ganha cada vez mais força nos bastidores partidários: a urgência de ampliar a presença feminina nas nominatas que disputarão as oito vagas do Estado na Câmara dos Deputados.
Atualmente, o Tocantins não possui nenhuma mulher entre os oito parlamentares que representam o Estado na Câmara Federal. A ausência feminina na bancada amplia a expectativa e também a pressão para que os partidos lancem nomes competitivos de mulheres na disputa deste ano.
O tema ganha ainda mais relevância diante de pautas que têm mobilizado a sociedade, como o combate ao feminicídio, a defesa de direitos das mulheres, políticas de proteção social e a ampliação da representatividade feminina nos espaços de poder.
Com o período de formação das nominatas em andamento, os partidos articulam nomes e buscam perfis que consigam unir representatividade, densidade política e capacidade eleitoral. É preciso que a disputa deste ano marque um movimento mais consistente de fortalecimento das candidaturas femininas.
Alguns nomes já começam a se consolidar no tabuleiro eleitoral. Pelo PP, a atual deputada estadual Janad Valcari já confirmou que disputará uma vaga na Câmara Federal. Na mesma coligação, a secretária de Saúde de Gurupi, Luana Nunes, também deve entrar na corrida eleitoral pela região sul do Tocantins.
Pelo PSD, a nominata deve contar com a presença da líder indígena tocantinense Narúbia Werreria, da líder comunitária de Palmas e ex-candidata a vice-prefeita nas eleições de 2024, Ivanete Lima, além da vice-presidente da OAB no Tocantins, Larissa Rosenda.
Outros nomes também são aguardados nas composições partidárias. No PT, há expectativa de que Tamires, do coletivo Somos, Vereadora de Palmas, dispute uma vaga. A psicóloga social conhecida como Índia também já aparece como um dos nomes confirmados para a disputa pelo PT. Há vários nomes de vereadoras cotados para a disputa e há espaço para muitos perfis e trajetórias femininas tocantinenses: os partidos precisam incentivar e levar isso a sério.
Nos bastidores, lideranças políticas apostam que novas candidaturas femininas ainda podem surgir até o fechamento das nominatas. Muitos partidos seguem em diálogo com mulheres de diferentes áreas: da política, do movimento social, da advocacia, do empreendedorismo e da liderança comunitária em busca de perfis competitivos. O Tocantins tem mulheres de perfis potentes, militâncias engajadas e forte representatividade que precisam ocupar a política.
A eleição deste ano precisa se tornar um marco para a representatividade feminina no Tocantins com condições reais para que as candidaturas delas consigam se consolidar e alcançar competitividade nas urnas.
Mais do que cumprir a legislação eleitoral sobre a participação mínima de mulheres nas chapas, o debate que cresce no Estado é sobre a necessidade real de presença feminina no Congresso Nacional, especialmente em um momento em que temas ligados às mulheres ocupam espaço central na agenda pública.
Até o fechamento das nominatas, a grande pergunta que ecoa nos bastidores da política tocantinense é: quais mulheres conseguirão transformar suas pré-candidaturas em protagonismo eleitoral e recolocar o Tocantins no mapa da representação feminina na Câmara Federal? O Tocantins urge por mulheres na Câmara Federal.