Tiago Dimas comemora aprovação do acordo Mercosul-União Europeia e destaca: “janela de oportunidades econômicas para o Tocantins”

O deputado federal Tiago Dimas (Podemos-TO) comemorou a aprovação do acordo provisório de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia pela Câmara dos Deputados na noite desta quarta-feira, 25 de fevereiro. O parlamentar destacou que o Tocantins precisa fazer a sua parte, preparando-se para as enormes oportunidades de ampliação de negócios.

“A aprovação do acordo Mercosul-União Europeia abre uma janela de oportunidades econômicas sem precedentes para o Tocantins. Nós temos a chance de acessar, com muito mais força, um novo mercado consumidor para os nossos produtos, desenvolver nossa agroindústria e ainda importar equipamentos e serviços a um custo muito menor”, ponderou o deputado.

Atualmente, o Estado exporta uma média de US$ 350 a US$ 400 milhões por ano para a União Europeia — com destaque para os resíduos de soja, a soja in natura, o milho, além de peptonas de proteína animal usadas pela indústria europeia. Caso o Tocantins faça a lição de casa no cumprimento das exigências de rastreabilidade, as projeções indicam a possibilidade de ampliar esses negócios em mais de 50%, impulsionados pela demanda europeia por produtos agropecuários de alta qualidade produzidos no Cerrado.

“Nós temos como um dos grandes exemplos a carne bovina. O Tocantins é, reconhecidamente, um grande produtor, com a China comprando em larga escala e com vendas consolidadas inclusive para os Estados Unidos, onde a exigência do mercado é bem restritiva. Com o acordo e a abertura de cotas com tarifas zero ou reduzidas, a nossa carne tem tudo para chegar forte na Europa. Historicamente, vendemos pouca carne para lá devido aos altos impostos. Agora, isso com certeza vai criar empregos nos nossos frigoríficos e melhorar a rentabilidade para o produtor”, ressaltou o parlamentar.

A força na base da cadeia: Agroindústria e Fruticultura

O Tocantins tem enviado sobras e resíduos de soja para a União Europeia. Embora esse subproduto tenha um valor por tonelada mais barato que o grão puro, essa exportação revela um cenário muito positivo: o Tocantins possui uma agroindústria de esmagamento ativa. “Nós extraímos o óleo de maior valor por aqui e enviamos o farelo em grandes volumes para alimentar rebanhos bovinos, suínos e granjas na Europa”. Com o fim das barreiras tarifárias, o escoamento desses resíduos tocantinense (e de uma possível entrada do nosso óleo de soja) se tornará muito mais competitivo. “A Europa precisa do nosso farelo e dos nossos resíduos de soja para sustentar a pecuária deles. Fazer a nossa agroindústria crescer e garantir projetos de irrigação na fruticultura — cujos sumos já chegam à Europa — tem que ser prioridade do Estado para extrair o máximo desse acordo comercial”, frisou o congressista.

Ainda sobre a fruticultura, o parlamentar lembrou que já existe uma venda de sumos de fruto para a Europa e há grande potencial de aumento dos negócios nesse setor. “Os europeus já compram um pouco dos nossos sumos e sucos de frutas. O mercado da União Europeia é enorme e exige qualidade, e nós temos capacidade para entregar isso”, frisou o congressista. A União Europeia é composta por 27 países e tem uma população estimada em mais de 450 milhões de habitantes.

Investimentos locais, estrangeiros e a defesa do produtor

O acordo prevê uma redução tributária que permitirá ao produtor tocantinense importar maquinário agrícola, defensivos e tecnologia de precisão da Europa com custos reduzidos. “Isso pode elevar a produtividade das lavouras do Cerrado e da transição amazônica”, explicou o parlamentar.

Outra janela que se abre é a possibilidade de atrair investimentos estrangeiros, já que o texto estabelece padrões regulatórios comuns e segurança jurídica. “Isso pode atrair capital europeu para projetos de infraestrutura cruciais ao Tocantins, como a integração logística da Ferrovia Norte-Sul, a hidrovia Araguaia-Tocantins e a criação de portos secos”, projetou o deputado.

Tiago Dimas lembrou a importância de o Congresso atuar de forma vigilante na defesa do agronegócio nacional. Durante a aprovação, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) cobrou a edição de um decreto do Governo Federal que estabeleça salvaguardas brasileiras, garantindo que o produtor nacional não seja prejudicado por barreiras comerciais europeias disfarçadas de exigências ambientais.

Próximos passos do acordo

No Brasil, a matéria agora segue para o Senado Federal. Para que o acordo entre em funcionamento integral, o texto precisa ser ratificado também por Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e pelos parlamentos dos países da União Europeia. Contudo, em razão da aprovação do Acordo Comercial Provisório (ITA), diplomatas e autoridades projetam que parte das regras de facilitação de comércio já comece a vigorar em breve.

“O Tocantins tem que estar pronto. Estou disposto a contribuir com essa discussão, ajudando o Estado a aproveitar essa grande janela e garantindo que o nosso produtor tenha segurança jurídica para produzir e exportar”, finalizou Tiago Dimas.

Para saber mais sobre a votação desta quarta-feira na Câmara, acesse: https://www.camara.leg.br/noticias/1247799-camara-aprova-acordo-de-comercio-entre-mercosul-e-uniao-europeia-acompanhe/.