O Cantão é uma região única e ponto final de rota turística proposta durante feira em Berlim - Foto: Divulgação
O Cantão é uma região única e ponto final de rota turística proposta durante feira em Berlim - Foto: Divulgação

Durante a ITB Berlin, considerada a maior feira de turismo do mundo, realizada esta semana na Alemanha, uma proposta brasileira de turismo de natureza começou a ganhar projeção internacional. O evento teve início dia três e encerra nesta sexta, 5 de março.

Convidados do estande da Embratur, os empreendedores Guilherme Tiezzi e Raquel Acácio, responsáveis pelo projeto EcoAraguaia/Biosfera Cantão, apresentaram a autoridades brasileiras e profissionais do setor a ideia de criação do Caminho da Vida Selvagem, uma rota turística que pretende conectar destinos naturais ao longo do Rio Araguaia.

A proposta prevê a integração de territórios nos estados de Goiás, Mato Grosso, Tocantins e Pará, formando um grande corredor turístico voltado para observação de vida selvagem, turismo regenerativo e experiências imersivas na natureza.

Durante a feira, os empreendedores também se reuniram com o secretário de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso, César Alberto Miranda Lima, para discutir o potencial da iniciativa como projeto de integração regional.

O roteiro proposto acompanha áreas de grande relevância ambiental ao longo do Araguaia e se organiza em três grandes trechos. O primeiro percorre o Parque Nacional do Araguaia, entre Luiz Alves, distrito de São Miguel do Araguaia, em Goiás, e o município de São Félix do Araguaia, em Mato Grosso. A segunda etapa segue pela Ilha do Bananal, considerada a maior ilha fluvial do mundo, até Santa Terezinha. O terceiro trecho chega ao município de Caseara, no Tocantins, porta de entrada do Parque Estadual do Cantão.

Toda a rota acompanha uma região conhecida por pesquisadores como o “corredor da onça”, área estratégica para a conservação da fauna e que reúne alguns dos ecossistemas mais preservados da América do Sul.

Além da biodiversidade, o projeto também busca valorizar a presença histórica dos povos indígenas Karajá e Javaé, guardiões tradicionais da Ilha do Bananal.

No centro desse mosaico ambiental está o Parque Estadual do Cantão, onde se encontram dois grandes biomas brasileiros, Amazônia e Cerrado, formando uma das regiões de maior biodiversidade do país, com mais de 800 lagos naturais e extensas áreas protegidas.

Segundo Guilherme Tiezzi, a participação na feira internacional representa um primeiro passo para ampliar o diálogo sobre o projeto.

“A conversa em Berlim representa uma pedra fundamental. O Caminho da Vida Selvagem pode se tornar uma das grandes rotas globais de observação de vida selvagem e turismo regenerativo, conectando comunidades, parques e paisagens ao longo do Araguaia até o Cantão”, afirmou.

A expectativa agora é ampliar o diálogo entre governos estaduais, operadores turísticos, comunidades locais e organizações do setor para estruturar a rota de forma integrada e posicionar o Araguaia como um dos grandes destinos de natureza do planeta.