Araguaína enfrenta reclamações e problemas no transporte coletivo

A paralisação do transporte coletivo em Araguaína, no norte do Tocantins, ocorrida nos últimos dias, evidenciou um impasse entre a Prefeitura e a empresa Araguaína Transportes, concessionária responsável pelo serviço. Motoristas interromperam as atividades alegando atraso no pagamento de salários, enquanto o Município afirma estar em dia com os repasses e aponta descumprimento contratual por parte da empresa.

De acordo com a Prefeitura de Araguaína, mensalmente é repassado o valor de R$ 351 mil à concessionária, subsídio destinado a custear parte dos custos operacionais, manter o valor da tarifa em R$ 4 e garantir benefícios como gratuidade ou meia-passagem a idosos e estudantes. A gestão municipal sustenta que o atraso no pagamento dos colaboradores é de responsabilidade exclusiva da empresa.

Por outro lado, a Araguaína Transportes argumenta que enfrenta dificuldades financeiras devido à ausência de reajuste da tarifa desde 2018 e do subsídio desde 2023, além de retroativos que, segundo a empresa, estariam em aberto desde setembro de 2023. O representante da concessionária, Umberto Pereira, afirma que os custos com salários, combustível, pneus e manutenção aumentaram significativamente, tornando inviável o pagamento da folha sem a atualização dos valores.

Atualmente, 20 ônibus atendem 14 linhas no município, com intervalos entre 27 e 30 minutos, operando das 5h30 às 23h30. Os funcionários paralisaram as atividades no sábado (10) e afirmam que só retornarão ao trabalho após a regularização da situação financeira da empresa.

Além do impasse financeiro, a Prefeitura destaca problemas recorrentes no cumprimento do contrato de concessão, especialmente em relação ao estado de conservação da frota. Segundo o Município, há reclamações frequentes dos usuários sobre ônibus que ultrapassam a idade máxima prevista em contrato, que estabelece idade média de até 15 anos para os veículos.

Em dezembro de 2025, por meio da Agência de Segurança, Transporte e Trânsito (ASTT), a Prefeitura solicitou à concessionária a apresentação de um Plano de Renovação Gradativa da Frota, além de laudos mecânicos e de segurança veicular para todos os ônibus com mais de 15 anos de fabricação. Também foram requeridos documentos fiscais e trabalhistas, como comprovações de recolhimento de FGTS e INSS e declarações tributárias. Segundo a gestão municipal, até o momento não houve resposta formal aos pedidos.

O presidente da ASTT, Terciliano Gomes, afirmou que as exigências visam garantir a segurança, a eficiência e a continuidade do serviço, ressaltando que o descumprimento das cláusulas contratuais pode resultar na perda da concessão. A Prefeitura informou ainda que avalia medidas alternativas para assegurar o funcionamento do transporte público na cidade, incluindo a regulamentação de lotações.

Em resposta, a empresa reconheceu que os veículos possuem cerca de 15 anos de uso e afirmou que está elaborando o plano de renovação e os laudos técnicos. No entanto, reforçou que a aquisição de novos ônibus depende da regularização dos valores que, segundo a concessionária, estariam pendentes por parte do Município.

Enquanto não há consenso entre as partes, a população de Araguaína segue enfrentando os impactos da paralisação e a incerteza sobre a normalização do transporte coletivo na cidade.