
Maju Cotrim
A semana política no Tocantins deve ser marcada por duas renúncias no comando de prefeituras estratégicas do Estado. Em Dianópolis, no Sudeste, o prefeito José Salomão deve deixar oficialmente o cargo na próxima terça-feira, 31 de março, para disputar uma vaga de deputado federal pelo PT. Já em Colinas do Tocantins, o prefeito Ksarin também confirmou que renunciará ao mandato para entrar na disputa por uma cadeira de deputado estadual pelo Podemos.
A saída de José Salomão tem forte impacto no cenário regional. Dianópolis é uma das principais cidades do Sudeste tocantinense, e a renúncia ocorre num momento em que o prefeito aposta no discurso de representação regional para buscar uma das oito vagas da bancada federal. Petista histórico, Salomão já governou o município por quatro mandatos e agora tenta transformar sua trajetória administrativa em capital político para a eleição de 2026.
Dias antes da renúncia, Salomão participou de um evento de despedida promovido pelo PT e partidos aliados, em que recebeu manifestações públicas de apoio ao novo projeto eleitoral. A renúncia está prevista para ser formalizada no dia 31 de março, na Câmara de Dianópolis.
Em Colinas do Tocantins, a movimentação também reposiciona o jogo político no Norte do Estado. Ksarin anunciou recentemente sua filiação ao Podemos e afirmou que vai disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. Segundo ele, a decisão foi tomada com tranquilidade, deixando a administração nas mãos do vice-prefeito.
As duas renúncias têm peso simbólico e eleitoral. Ao entregarem o comando das prefeituras aos vices, Salomão e Ksarin antecipam o mergulho definitivo na disputa proporcional e tentam converter a força de suas gestões em densidade eleitoral. No caso de Salomão, o desafio será ampliar sua influência de Dianópolis para outras regiões do Estado numa eleição federal competitiva. Já Ksarin buscará transformar sua popularidade local em musculatura regional para chegar à Assembleia. Essa leitura é uma inferência baseada no movimento político dos dois prefeitos e em suas pré-candidaturas já assumidas.
No tabuleiro de 2026, a semana reforça um dado central: o ciclo eleitoral entrou de vez na rotina administrativa dos municípios, e as desincompatibilizações começam a redesenhar o mapa de poder no interior do Tocantins.