
Maju Cotrim
O ex-prefeito, Carlos Amastha, conseguiu enfim a carta de anuência e se desfiliou do PSB. A carta foi assinada por João Campos.
Amastha faz uma carta de despedida do partido e agora se filiará ao Podemos para disputar vaga de estadual.
Veja a íntegra da carta:
Carta de despedida ao PSB
Aos companheiros e companheiras da Direção Nacional do Partido Socialista Brasileiro,
Escrevo esta mensagem com uma dor profunda no coração.
A partir de hoje, não faço mais parte dos quadros do PSB, partido ao qual me filiei pela primeira vez há mais de duas décadas, e que sempre ocupou um lugar muito especial na minha trajetória política e pessoal. O PSB foi meu primeiro partido. Foi nele que aprendi, cresci, lutei, venci, perdi, sonhei e construí boa parte da minha história pública.
Só estive fora uma única vez, quando disputei pela primeira vez a Prefeitura de Palmas, em razão da impossibilidade de fazê-lo pela legenda do PSB naquele momento. Disputei por outro partido, venci a eleição, e logo depois retornei ao meu partido de origem, porque sempre soube onde estava meu verdadeiro pertencimento político.
Ao longo dessa caminhada, ganhamos e perdemos, como é natural na vida pública. Mas nunca fomos coadjuvantes. Sempre fomos protagonistas.
Desde que assumi a presidência estadual do PSB no Tocantins, há 12 anos, o partido esteve presente em todas as disputas majoritárias. Sob nossa condução, o PSB conquistou protagonismo, respeito e relevância política. Enfrentamos grandes embates, inclusive jurídicos, em defesa da democracia, contra arbitrariedades, contra desgovernos do Estado e também contra abusos cometidos no âmbito da Assembleia Legislativa. Sempre estivemos ao lado de quem mais precisa, sem medo de enfrentar interesses poderosos.
Por isso, minha saída não é burocrática. Não é leve. Não é fria. É profundamente dolorosa.
Saio triste ao ver que o partido, ao qual dediquei tantos anos de lealdade, trabalho e entrega, foi colocado sob a influência de forças que sempre estiveram do outro lado da nossa caminhada política. Essa decisão representa, para mim, uma ruptura com tudo aquilo que construímos ao longo desses anos no Tocantins.
Ouvi a promessa de que seria construída uma chapa competitiva para deputado federal, algo que, até aqui, não se concretizou de forma minimamente convincente. Espero sinceramente, pelo bem do partido, que isso ainda aconteça. Mas sigo meu caminho com a consciência tranquila de quem fez sua parte, de quem lutou até o último momento e de quem não faltou ao PSB em nenhuma hora decisiva.
Agora, seguirei para disputar um mandato de deputado estadual por outra legenda. Farei isso sem negar minha história, sem apagar minha caminhada e sem renunciar aos valores que sempre defendi.
Levo comigo as lembranças, os companheiros de luta, as batalhas travadas, as vitórias conquistadas e também as cicatrizes de um tempo em que o PSB, no Tocantins, teve coragem, altivez e protagonismo.
Saio com tristeza, mas não com amargura. Saio ferido, mas de cabeça erguida. Saio do partido, mas não saio da luta.
E, no mais íntimo do meu coração, permanece o sentimento de que, se um dia o PSB voltar a ser entregue às mãos de quem verdadeiramente acredita em sua história, em seus princípios e em sua coragem, sempre haverá em mim respeito, memória e vínculo com esse partido que marcou a minha vida.
A todos os companheiros e companheiras que caminharam comigo ao longo desses anos, em nome do meu eterno Presidente e amigo Carlos Siqueira,minha gratidão mais sincera.
Com dor, mas também com dignidade,
Carlos Amastha
Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!
Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!