
A pré-campanha ao governo do Tocantins começou antes mesmo do calendário impor ritmo e os últimos dias deixaram isso evidente. A Gazeta do Cerrado acompanhou, in loco, os três primeiros grandes movimentos dos principais grupos políticos em disputa, e o que se vê é um cenário em ebulição, com estratégias bem definidas, discursos calibrados e tentativas claras de ocupar espaço no imaginário do eleitor.
Ainda há espaços para adesões e muita água ainda vai passar por debaixo dessa ponte!
O primeiro ato foi protagonizado por Laurez Moreira. Após assumir interinamente o governo por três meses, Laurez entra agora em uma nova fase: a da tentativa de reconstrução do seu ambiente político. Seu evento teve menos peso numérico e mais simbólico. Ao lado de nomes como Gilberto Kassab e Irajá Abreu, ele apostou em uma narrativa de retomada, de esperança, planejamento e crítica à atual condução do Estado.
Há uma tentativa de reposicionamento claro: menos gestor eventual, mais pré-candidato em construção. O evento funcionou como uma injeção de ânimo na militância e marcou uma virada de tom. Laurez tenta, a partir daqui, voltar a ocupar o espaço de quem pensa o Tocantins a longo prazo.
O segundo movimento, liderado pela senadora Professora Dorinha, foi, até agora, o mais robusto em termos de demonstração de força política. Mais de 100 prefeitos presentes não são apenas um número, são um recado. O evento consolidou a musculatura de um grupo que conta com o apoio direto do governador Wanderlei Barbosa, além de nomes estratégicos como Eduardo Gomes e Carlos Gaguim.
Na comunicação, Dorinha foi precisa: apresentou a ideia de um futuro que “já começou”. Ou seja, não se coloca apenas como promessa, mas como continuidade qualificada de um projeto em andamento, ancorado no municipalismo e na capilaridade política. O evento não apenas lotou, engajou o grupo. E isso, em pré-campanha, é um ativo valioso.
Já o terceiro ato trouxe à cena um novo arranjo político, com Amélio Caires, Vicentinho Júnior e Alexandre Guimarães. O evento foi marcado por uma chegada eufórica e um discurso fortemente baseado em união e construção coletiva.
Mas, para além da estética, há uma estratégia: criar sentimento. O grupo aposta em um discurso que mistura crítica ao Palácio com promessa de diálogo e presença nas ruas. A fala de Amélio sobre “pedir oportunidade para o segundo turno” revela uma estratégia de crescimento progressivo. Já a ideia de “dois governadores”, apresentada como parceria entre titular e vice, tenta inovar na narrativa de gestão compartilhada.
Ao colocar os três eventos lado a lado, a leitura é clara: a pré-campanha no Tocantins não apenas começou quente, estratégica e altamente competitiva. Cada grupo já definiu sua identidade inicial:
- Laurez busca reconstrução e reposicionamento;
- Dorinha aposta na força, estrutura e continuidade;
- Amélio, Vicentinho e Guimarães adotam estratégia de narrativa de emoção e sentimento.
Mas há um ponto central que atravessa os três movimentos: ainda é abril. E, em política, tempo é ativo decisivo.
A partir de agora, cada gesto, cada fala e cada articulação terão peso ampliado. A disputa não será apenas por alianças ou palanques, será, sobretudo, pela narrativa que melhor traduzir o Tocantins que o eleitor quer enxergar.
A pré-campanha virou termômetro. E o eleitor, cada vez mais atento, será o fiel da balança entre discurso e realidade.
Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!
Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!