"Vamos dizer não àqueles que se autointitulam coronéis do Bico", dispara Auri-Wulange após decisão do STF

A decisão do Supremo Tribunal Federal que beneficiou o prefeito de Axixá, Auri-Wulange, repercutiu rapidamente no cenário político do Bico do Papagaio e foi seguida por um discurso em tom de enfrentamento e mobilização regional.

Em vídeo divulgado após a decisão, o gestor comemorou o resultado e agradeceu à equipe jurídica responsável pelo caso. “Deus é bom e justo o tempo todo. Ontem saiu uma decisão do STF, do ministro Gilmar Mendes, onde ele anula os efeitos de uma condenação que eu tinha no TCU”, afirmou.

A manifestação, no entanto, foi além do campo jurídico. Auri aproveitou o momento para sinalizar uma agenda política mais ampla, voltada à região do Bico do Papagaio, e adotou um discurso crítico a práticas que, segundo ele, marcaram a política local ao longo dos anos.

“Vamos andar os quatro cantos, os 26 municípios do Bico do Papagaio, conversando com a população”, disse. Em seguida, fez críticas diretas a grupos políticos: “Para aqueles que sempre venderam o Bico do Papagaio, que imaginavam que aqui era um curral eleitoral deles”.

O prefeito também mencionou problemas estruturais da região, como a precariedade das estradas e a necessidade de investimentos em infraestrutura, defendendo um debate mais direto com a população sobre essas demandas.

“Vamos passar a limpo essa história e debater os reais problemas que afligem a nossa região”, declarou, citando estradas vicinais e a falta de pavimentação como exemplos.

O tom mais duro apareceu ao final do pronunciamento, quando Auri falou em romper com práticas políticas tradicionais. “Dizer não àqueles que se autointitulam coronéis do Bico do Papagaio e devolver aos cidadãos a possibilidade de crescer e prosperar”, afirmou.

Entenda o caso

A fala ocorre após decisão do ministro Gilmar Mendes, que concedeu mandado de segurança ao prefeito e reconheceu a prescrição de punições impostas pelo Tribunal de Contas da União.

O caso envolve um termo de compromisso com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), considerado irregular pelo TCU por omissão na prestação de contas e pela não comprovação da aplicação de recursos federais. O débito apontado ultrapassa R$ 918 mil, além de multa.

Ao analisar o processo, o ministro entendeu que o prazo para punição foi ultrapassado. Segundo ele, o intervalo entre a data em que as contas deveriam ter sido apresentadas, em 2015, e a citação do gestor, em 2023, excede o limite legal de cinco anos, caracterizando a prescrição.

Apesar disso, a decisão ressalta que eventual responsabilização ainda pode ocorrer por meio do Poder Judiciário, caso haja comprovação de ato doloso, já que ações de ressarcimento ao erário são consideradas imprescritíveis.

Brener Nunes

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins