Campanha de triagem da Fundação Pró-Rim aponta índices elevados de pressão e glicemia em Palmas

Triagem no Dia Mundial do Rim avaliou 400 pessoas na Aleto e na Havan, em Palmas, e levou caminhada e panfletagem ao Parque Mutuca, em Gurupi. Mais de 1 em cada 4 participantes de Palmas tinha pressão alta, o que reforça a urgência da prevenção da Doença Renal Crônica.

Em apenas três dias de mobilização pelo Dia Mundial do Rim, a Fundação Pró-Rim avaliou 400 pessoas em Palmas, em ações realizadas na Assembleia Legislativa do Tocantins (Aleto) e na Havan, e promoveu, em Gurupi, a caminhada Passos do Filtro no Parque Mutuca, com panfletagem e conversa direta com a população. Mais do que aferir pressão e glicemia, a triagem e as abordagens educativas revelaram o tamanho do risco silencioso que cerca a saúde renal. Em Palmas, 26,3% dos participantes apresentaram pressão arterial alta e 13,4% tinham glicemia alterada, condições diretamente relacionadas ao desenvolvimento da Doença Renal Crônica.

Maycon Truppel Machado, presidente da Fundação Pró-Rim, explica que a cada campanha como a realizada em Palmas e Gurupi, a instituição reafirma o compromisso com a vida. “Levamos informação, exames simples e orientação para que a população reconheça a importância de olhar para os rins com atenção e tenha mais oportunidades de proteger a própria saúde antes que o quadro se agrave. Cuidar da saúde renal é a forma que encontramos de honrar a vida em tudo o que fazemos”, ressalta o presidente.

Epidemia silenciosa da Doença Renal Crônica em números

A Doença Renal Crônica (DRC) é hoje um dos maiores desafios de saúde pública no mundo, atingindo cerca de 10% da população global, o que significa que aproximadamente uma em cada dez pessoas pode desenvolver algum grau de comprometimento dos rins ao longo da vida. No Brasil, o cenário também é preocupante. Estimativas recentes do Censo Brasileiro de Diálise apontam que o país já ultrapassou 172 mil pessoas em terapia renal substitutiva, um aumento de quase 10% em relação a 2023, o que coloca mais brasileiros dependentes de máquinas de diálise várias vezes por semana para sobreviver.

Em Palmas, os dados da campanha ajudam a enxergar esse problema de perto. Entre os 384 participantes que tiveram a pressão aferida, 101 pessoas apresentaram valores iguais ou superiores a 140/90 mmHg, faixa considerada hipertensão. Já 46 das 344 pessoas que fizeram teste de glicemia estavam com níveis acima de 126 mg/dL, o que indica possível diabetes ou controle inadequado da doença, justamente as duas principais causas de Doença Renal Crônica.

Quem são as pessoas por trás dos percentuais

A campanha mostrou que o risco não está restrito aos mais velhos. Dos 400 atendidos, 58,2% eram adultos entre 30 e 59 anos, faixa em que 29,1% apresentaram pressão alta e 13,1% tinham glicemia alterada, muitas vezes sem saber. Entre os idosos, que representaram 26,2% do público, a situação é ainda mais delicada. Nessa faixa etária, 21,3% apresentaram glicemia elevada, somando risco cardiovascular e renal.

Até entre os jovens com menos de 30 anos, que corresponderam a 12,8% dos participantes, surgiram sinais de alerta. Nesse grupo, 12% já apresentavam hipertensão, o que reforça como hábitos de vida, alimentação rica em ultraprocessados e sedentarismo antecipam problemas que, no passado, eram típicos de idades mais avançadas.

Locais estratégicos, impacto direto

As ações em Palmas seguiram a estratégia de levar a saúde renal para locais de grande circulação e de influência política. Na Aleto, nos dias 10 e 11 de março, foram 214 atendimentos, e 31,7% dos avaliados apresentaram pressão alta, com 17,2% de glicemia alterada. Na Havan, no dia 12, foram 186 pessoas atendidas, com 20,3% de hipertensos e 9,4% com glicose acima do recomendado.

Além da aferição de pressão e testes de glicemia, as equipes ofereceram orientação sobre Índice de Massa Corporal, hábitos alimentares e prática de atividade física, o que reforça que o cuidado com os rins começa muito antes de qualquer sintoma. Em Gurupi, a caminhada Passos do Filtro, no Parque Mutuca, conectou movimento, ocupação do espaço público e conversa sobre prevenção, com distribuição de materiais informativos e foco em sensibilizar a população para reconhecer fatores de risco e procurar serviços de saúde antes que a doença se instale.

Doença silenciosa que cresce no país

A experiência em Palmas e Gurupi reforça a avaliação do médico nefrologista, Dr. Amadeu Giannasi, CRM-TO 1314 e RQE 568, de que a Doença Renal Crônica (DRC) não faz marketing e, na maior parte das vezes, evolui sem sintomas até os estágios avançados. “Como a DRC é progressiva e, em geral, irreversível, chegar tardiamente ao sistema de saúde significa muitas vezes iniciar hemodiálise de forma urgente ou entrar em lista de transplante”, explica o médico nefrologista.

Ainda segundo o Dr. Amadeu Giannasi, medidas simples, como aferir a pressão regularmente, fazer exame de creatinina e urina ao menos uma vez por ano e controlar rigorosamente hipertensão, diabetes, peso e uso de medicamentos, podem reduzir de forma significativa o risco de falência renal. As recomendações incluem alimentação com menos sal e ultraprocessados, preferência por alimentos in natura, prática regular de atividade física, ingestão adequada de água e evitar automedicação, especialmente de analgésicos e anti-inflamatórios.

Quem deve ficar em alerta máximo

Os dados da triagem em Palmas reforçam a mensagem da Fundação Pró-Rim sobre quem precisa redobrar a atenção. Pessoas com hipertensão, diabetes, obesidade, histórico familiar de doença renal, idosos e usuários crônicos de certos medicamentos compõem o grupo de maior risco. Para esse público, a avaliação anual deve ser encarada como parte da rotina, assim como o acompanhamento regular da pressão e da glicemia.

Durante as ações na Aleto, na Havan e em Gurupi, as equipes de saúde explicaram em linguagem simples o que é a DRC, como ela afeta o organismo e por que a ausência de sintomas não significa que está tudo bem. Cada aferição de pressão ou teste de glicemia foi tratada como oportunidade de educação em saúde.

Cuidar de pessoas e proteger o planeta

Ao adotar o lema “Cuidar de pessoas e proteger o planeta”, a Fundação Pró-Rim conectou saúde renal e sustentabilidade. A caminhada em área verde, o incentivo ao uso consciente de recursos de saúde, a valorização de alimentos frescos e de produção local e o combate ao desperdício de água mostram que escolhas sustentáveis também protegem os rins.

Presente em Santa Catarina e Tocantins, com atuação reconhecida em diálise e transplante renal, a Fundação Pró-Rim reforça que seu compromisso é duplo. A instituição busca oferecer tratamento de excelência para quem já depende da terapia renal substitutiva e, ao mesmo tempo, investir em prevenção para que menos pessoas cheguem a esse ponto. A mensagem central é que exames simples podem mudar o destino de uma vida quando feitos na hora certa e que olhar para a própria saúde renal precisa fazer parte da rotina de cuidados.