Foto: Exame de sangue pode ajudar a detectar hanseníase mais cedo - Foto: Freepik
Foto: Exame de sangue pode ajudar a detectar hanseníase mais cedo - Foto: Freepik

Um novo método que combina exame de sangue, questionário clínico e inteligência artificial pode transformar o diagnóstico da hanseníase no Brasil, permitindo identificar a doença ainda nas fases iniciais.

A estratégia foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) a partir de amostras coletadas durante um inquérito sobre Covid-19. Os resultados indicam maior capacidade de detecção precoce, especialmente quando os sintomas ainda são discretos e os exames tradicionais falham.

Pesquisa e desenvolvimento científico

O estudo foi conduzido por equipes da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, com apoio da Fapesp, e publicado na revista BMC Infectious Diseases. A pesquisa foi coordenada pelo pesquisador Marco Andrey Frade.

Segundo o biomédico Filipe Lima, um dos autores, a hanseníase ainda enfrenta desafios como a falta de testes laboratoriais sensíveis e a dificuldade de reconhecimento dos sinais iniciais por profissionais de saúde.

Como funciona o novo método

A triagem combinou duas ferramentas principais. A primeira foi um questionário clínico com foco em sintomas neurológicos, aprimorado com inteligência artificial. A segunda foi um exame de sangue que detecta anticorpos contra o antígeno Mce1A.

Diferente do teste tradicional, que avalia apenas um tipo de anticorpo, o novo método analisa três (IgA, IgM e IgG), aumentando a sensibilidade e permitindo distinguir entre exposição, infecção ativa e contato prévio com a bactéria.

Resultados que chamam atenção

Na prática, o método apresentou resultados expressivos. Entre os participantes avaliados presencialmente, cerca de um terço recebeu diagnóstico de hanseníase mesmo sem sintomas evidentes.

A combinação entre exame e inteligência artificial alcançou 100% de sensibilidade na triagem dos casos suspeitos, indicando grande potencial para uso em larga escala.

Aplicação na rede pública

Embora o exame não substitua a avaliação médica, ele pode indicar com mais precisão quem precisa de acompanhamento especializado. Além disso, o custo e a execução são semelhantes aos testes já disponíveis, facilitando sua adoção no SUS.

Distribuição da doença

O estudo também analisou a distribuição dos casos por georreferenciamento e identificou um padrão difuso, mostrando que a hanseníase não está concentrada em uma única região e atinge diferentes perfis sociais.

Problema de saúde pública

A hanseníase é uma doença infecciosa que afeta principalmente a pele e os nervos, podendo causar manchas, perda de sensibilidade e fraqueza muscular.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 200 mil novos casos são registrados anualmente no mundo. O Brasil ocupa a segunda posição global em número de casos, atrás apenas da Índia.

Próximos passos

Os pesquisadores agora trabalham na validação da tecnologia em larga escala, com o objetivo de incorporá-la ao SUS. Também estudam formas de tornar o teste ainda mais preciso, analisando partes específicas da proteína utilizada no exame.