
Fazer política é, antes de tudo, se posicionar. É assumir publicamente as decisões que se toma, as alianças que se constrói e os caminhos que se escolhe seguir. Não existe espaço legítimo, em um ambiente democrático, para quem deseja o voto popular, mas evita o ônus da transparência.
É preciso dizer com todas as letras: jornalista nenhum tem obrigação de adivinhar posição política de ninguém. Muito menos de atuar como investigador de bastidores para decifrar o que deveria ser dito com clareza. Quando um agente público ou pré-candidato ignora mensagens, não atende ligações e opta pelo silêncio diante de temas centrais, não está sendo estratégico: está sendo omisso.
E omissão, na política, também é uma escolha. E será interpretada como tal.
O Tocantins caminha para uma eleição que não será apenas de nomes, mas de posturas. A população está mais atenta, mais crítica e menos tolerante com discursos vagos e movimentos nebulosos. É a eleição da clareza. E, nesse cenário, cada gesto, ou a ausência dele, será devidamente observado.
Por que se filiou a determinado partido?
Por que mudou de posição?
Quais são as reais possibilidades dentro do atual contexto político?
Como avalia o cenário que pretende disputar? Notas públicas carregadas de palavras bonitinhas mas sem coerência política?
Essas não são perguntas inconvenientes. São perguntas básicas. São, na verdade, o mínimo que se espera de quem deseja representar pessoas.
A política não pode ser um jogo de sombras, onde decisões são tomadas nos bastidores e comunicadas apenas quando conveniente. Quem quer liderar precisa ter coragem de se expor, de sustentar suas escolhas e de dialogar com a sociedade, inclusive quando isso exige desconforto.
A omissão não pode ser um abrigo seguro para quem busca confiança popular. Não pode ser zona de conforto. Porque confiança se constrói com presença, coerência e, sobretudo, com clareza.
No fim, a conta sempre chega. E quem não fala, também será interpretado.