
O ex-governador do Tocantins e pré-candidato a deputado federal, Mauro Carlesse (PSD), publicou em seu perfil no Instagram um vídeo em que relembra uma das decisões mais importantes de sua gestão: a interdição total da ponte sobre o Rio Tocantins, em Porto Nacional. Segundo ele, apesar do desgaste político à época, a medida foi essencial para evitar uma possível tragédia e lhe traz orgulho.
Na publicação, Carlesse faz uma reflexão sobre responsabilidade na gestão pública e destaca que decisões difíceis, mesmo impopulares, podem ser determinantes para preservar vidas.
Ao comentar o episódio, o ex-governador afirmou que a iniciativa foi baseada em critérios técnicos e tomada com urgência diante do risco identificado. “Tenho orgulho de todas as obras que fiz quando governador, mas a ponte de Porto Nacional foi fundamental para salvar a vida de muitas das pessoas. Na hora que eu olhei o estudo técnico e vi que a ponte poderia cair a qualquer momento, eu tomei a atitude de interditar a ponte e iniciar um novo projeto que ficou pronto em menos de 60 dias e com financiamento aprovado e logo depois já iniciamos a obra”, destacou.
Carlesse também relatou que só teve conhecimento da gravidade da situação após solicitar uma reforma na estrutura. Segundo ele, estudos anteriores já apontavam os riscos, mas não haviam sido colocados em prática.
“Outros governadores já sabiam da existência desse estudo, mas só nós tivemos a coragem de tomar essa decisão e de iniciar o projeto de construção da nova estrutura. Eu pedi à Secretaria de Infraestrutura para fazer uma reforma na ponte, aí me trouxeram uma pasta com o estudo e, à noite, quando fui analisar, vi que havia três laudos apontando que a estrutura poderia cair a qualquer momento. A partir dali, tomei a decisão de interditar e iniciar o projeto. Já tínhamos bancos interessados em financiar, então aprovamos o financiamento e demos início”, afirmou.
Em outro trecho, o ex-governador comparou a situação com a tragédia registrada na ponte entre Tocantins e Maranhão. “Para se ter uma ideia, aquela obra já tinha seis pedras fundamentais lançadas, mas ninguém deu início. Iam lá, montavam palanque, anunciavam e depois deixavam para lá. Eu vi que a necessidade não era política, era estrutural. Ela tinha que ser interditada imediatamente, como eu fiz. Hoje todos podem ver que, na ponte de Estreito, poderiam ter tomado a mesma decisão e não o fizeram. Então ela caiu e matou pessoas inocentes. Agora imagina a daqui de Porto Nacional, que é o dobro do tamanho da de Estreito”, disse o pré-candidato. Ao final, Carlesse ressaltou que, apesar das críticas enfrentadas, a decisão foi correta e evitou possíveis mortes. “Fico pensando quantas mortes poderiam ter ocorrido se não tivéssemos tomado aquela decisão. Antes, preparei o Estado, que já tinha condições de fazer o financiamento, e aquela ponte era para ter sido concluída em 2023. Tenho um orgulho muito grande de ter tomado aquela decisão e salvado muitas vidas. Sobre o desgaste, ele foi superado, pois hoje as pessoas sabem que tomamos a decisão correta”, concluiu.
Histórico das pontes
A ponte de Porto Nacional, sobre o Rio Tocantins, passou por interdição total durante a gestão de Mauro Carlesse após laudos técnicos apontarem risco iminente de colapso da estrutura. A decisão levou à elaboração de um novo projeto e à construção de uma nova ponte, viabilizada por meio de financiamento junto ao Banco de Brasília (BRB). A obra foi executada em tempo considerado célere e se tornou uma das principais intervenções de infraestrutura do período.
Já a ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, conhecida como Ponte JK, localizada entre os municípios de Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA), desabou anos depois, provocando uma tragédia que resultou na morte de mais de 10 pessoas. O caso gerou forte comoção e levantou debates sobre manutenção, fiscalização e responsabilidade na gestão de estruturas públicas.
As duas situações, embora distintas, evidenciam a importância de decisões baseadas em critérios técnicos e da adoção de medidas preventivas para evitar perdas humanas.
Foto: Washington Luiz/Governo do Tocantins