
À medida que o calendário eleitoral avança, o Tocantins passa a viver intensamente o tempo das narrativas. Antes mesmo de definições formais, o ambiente político tem sido tomado por um verdadeiro “mundaréu” de cogitações, muitas delas espalhadas diariamente em grupos de WhatsApp, bastidores informais e rodas de conversa, quase sempre sem checagem ou confirmação adequada.
Circulam versões para todos os gostos. Supostas composições de chapas majoritárias, anúncios antecipados de alianças, rompimentos iminentes e arranjos tidos como “fechados” acabam ganhando status de verdade antes mesmo de existirem, de fato. A realidade, porém, é bem mais complexa: a montagem das majoritárias ainda não está definida, embora seja possível identificar tendências em construção. Tratar essas tendências como decisões consolidadas tem contribuído mais para confundir do que para informar quem acompanha a pré-campanha.
O mesmo ocorre com o recorrente “disse que me disse” sobre trocas de partidos. É fato que os movimentos devem se intensificar até o fim da janela partidária, mas também é verdade que a maioria dessas decisões exige tempo, diálogo, cálculo político e análise de cenários. Muitos atores ainda não bateram o martelo e seguem avaliando riscos, oportunidades e coerência política. Ainda assim, especulações ganham corpo e são reproduzidas como se fossem anúncios oficiais.
Esse excesso de versões, algumas intencionais, outras fruto de interpretações apressadas, cria um ruído permanente no debate público. Muita água ainda vai passar por debaixo dessa ponte até que as definições ocorram, e o jogo político, como se sabe, é dinâmico e sujeito a mudanças repentinas.
Nesse contexto, nunca a checagem jornalística foi tão necessária e vital. Separar fato de boato, tendência de decisão e narrativa de realidade tornou-se um desafio diário para a imprensa e um serviço essencial à sociedade. A Gazeta do Cerrado seguirá firme nesse compromisso: ouvir, apurar e contextualizar as informações que chegam, tratando especulações como especulações e decisões como decisões, sem antecipar conclusões.