
Enquanto o custo dos alimentos para preparo no lar encerrou 2025 em queda em Palmas, comer fora ficou significativamente mais caro. Dados do Núcleo Aplicado de Estudos e Pesquisas Econômico-Sociais (NAEPE) revelam que a alimentação fora de casa acumulou inflação de 10,14% no ano — um movimento oposto ao da cesta básica, que registrou deflação de 4,17%. O contraste ajuda a explicar por que, mesmo com preços menores no supermercado, a sensação de aperto no orçamento segue presente no dia a dia do trabalhador que se alimenta fora de casa.
O levantamento do NAEPE aponta que, no quarto trimestre de 2025, todos os grupos pesquisados na alimentação fora de casa apresentaram aumento de preços em Palmas. As maiores altas vieram da categoria dos doces, especificamente, pelo açaí e sorvete, que subiram, em média, 4,51% no período. Os lanches também ficaram mais caros, com alta de 3,47%. Na categoria das refeições, a alta trimestral foi de 1,01%, com destaque para a refeição a quilo, que subiu 2,57% no período. Diferentemente de momentos anteriores, itens como marmitas e o tradicional prato feito (PF) apresentaram relativa estabilidade. Já as bebidas registraram aumento de 2,15%, com destaque para o refrigerante em lata e a água mineral sem gás.
No acumulado de 2025, a inflação da alimentação fora de casa em Palmas atingiu a casa dos dois dígitos (10,14%) e superou o índice de 2024, que foi de 9,8%. O maior avanço foi observado novamente na categoria dos doces, com o açaí e o sorvete tendo reajustes superiores a 22%. Por sua vez, a refeição a quilo acumulou aumento de 10,97% ao longo do ano, superando em muito a taxa verificada em 2024, que foi de 4,83%.
Verifica-se, portanto, aumento expressivo nos preços da alimentação fora de casa em Palmas ocorrendo em contraste ao barateamento da cesta básica e dos alimentos em geral; em Palmas e no Brasil. Conforme pesquisas do Naepe, a cesta básica teve redução de 4,17% e o Índice de Preços dos Alimentos Essenciais (IPAe) apontou deflação superior a 8% no ano de 2025 em Palmas. O cenário expõe um paradoxo: cozinhar em casa ficou mais barato, enquanto comer fora pesou mais no bolso. Para o economista Autenir de Rezende, “isso reflete tanto a memória inflacionária agindo sobre a formação de preços futuros, com empresários repetindo automaticamente reajustes históricos e de contratos (inflação inercial), bem como, o aumento da demanda provocado pela redução do desemprego e melhora da renda”. Enfim, os estudos do Naepe mostram que rever os padrões de consumo alimentar pode ser um bom caminho para uma vida financeira mais tranquila.
Naepe-IFTO – Os resultados completos desta e de outras pesquisas desenvolvidas pelo NAEPE podem ser acessados no site (naepepesquisas.com) ou na rede social do Núcleo (@naepe.pesquisas). A pesquisa do NAEPE conta com o apoio do Ministério Público (MPTO), da Fundação de Apoio Científico e Tecnológico do Tocantins (FAPTO) e do Conselho Regional de Economia (Corecon-TO).