MP pede suspensão de terceirização de UPAs e questiona contrato de até R$ 700 milhões

A tentativa da Prefeitura de Palmas de transferir a gestão das UPAs Norte e Sul para uma entidade privada virou alvo de contestação judicial. O Ministério Público do Tocantins pediu a suspensão imediata dos atos que viabilizam a mudança, apontando risco ao interesse público e possíveis irregularidades no processo.

O pedido foi protocolado nesta segunda-feira, 6, dentro de uma ação popular que tramita na Justiça e foi apresentada pelo vereador Vinicius Pires. A ação questiona desde a escolha da entidade até a forma como a contratação foi conduzida.

No centro da disputa está um contrato que prevê repasse anual de R$ 139,1 milhões, valor que pode chegar a cerca de R$ 700 milhões ao longo de cinco anos. Para o Ministério Público, há indícios suficientes para suspender o processo antes que ele avance, incluindo a possibilidade de assinatura do termo de colaboração.

Entre os principais pontos levantados estão o uso de dispensa de chamamento público, suspeita de direcionamento na escolha da organização e a ausência de deliberação do Conselho Municipal de Saúde. A entidade apontada para assumir as unidades é a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba.

Outro questionamento envolve a justificativa de urgência apresentada pela gestão municipal. Segundo a ação, há concurso público vigente com candidatos aprovados ainda não convocados, o que colocaria em dúvida a necessidade da terceirização.

A diferença de valores também chama atenção. Dados apresentados no processo indicam que, em 2024, o gasto com serviços médicos terceirizados nas unidades foi de R$ 16,8 milhões, bem abaixo do montante previsto no novo modelo.

Além dos aspectos administrativos, o Ministério Público também menciona denúncias de trabalhadores da saúde e entidades sindicais, que relatam falta de transparência, condução acelerada do processo e possíveis impactos na qualidade do atendimento.

Nos bastidores das unidades, o clima é de incerteza. Profissionais relatam preocupação com mudanças nas equipes, possíveis reduções salariais e substituição de trabalhadores experientes. Também há críticas à ausência de diálogo com quem atua diretamente no atendimento.

Problemas estruturais já enfrentados nas UPAs também entram no debate. Servidores citam falta de medicamentos, atrasos salariais e dificuldades operacionais em serviços terceirizados, como exames laboratoriais e radiografia, que em alguns momentos deixam de funcionar por falta de insumos ou manutenção.

O que diz a Prefeitura

A Prefeitura de Palmas informou que, na próxima segunda-feira, 13, o novo modelo de gestão compartilhada das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Norte e Sul. A parceria da Secretaria Municipal de Saúde (Semus) com a entidade filantrópica Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Itatiba é uma estratégia desenhada para acabar com a falta de profissionais e escalas incompletas, garantir abastecimento regular de insumos e medicamentos e a introdução de especialidades inéditas: ortopedia e pediatria.

Diferente do modelo anterior, a gestão compartilhada com a Santa Casa de Itatiba será monitorada por rigorosos indicadores de desempenho. Se o atendimento não for ágil ou se o cidadão não estiver satisfeito, a Prefeitura aplica retenções financeiras ao termo de colaboração. O objetivo é assegurar que o índice de satisfação do usuário seja sempre superior a 80%. E a participação do cidadão na fiscalização será essencial para garantir as melhorias nas UPAs.

O investimento de R$ 5,8 milhões mensais por unidade garantirá uma estrutura completa, onde as equipes de saúde terão melhores condições de trabalho e a população receberá um atendimento digno e com eficiência nas UPAs.

Com a gestão compartilhada em operação, a Semus inicia a implantação dos postos de saúde ‘Corujinha’, onde 11 unidades passarão a funcionar até meia-noite. Essa ampliação será possível porque os servidores concursados que atuam nas UPAs serão realocados para atenderem na Atenção Primária.

Brener Nunes

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins