
A fila de mais de 90 mil cadastros ambientais à espera de validação no Tocantins virou um dos principais argumentos do governo para defender a aprovação do projeto que autoriza o recebimento de R$ 56 milhões para investimentos na área ambiental.
O alerta foi feito pelo presidente do Naturatins, Cledson da Rocha, durante coletiva sobre a proposta que ainda depende de aval da Assembleia Legislativa.
Segundo ele, o volume de processos acumulados evidencia a necessidade urgente de modernização do órgão, especialmente na análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR).
“Hoje nós temos mais de 90 mil cadastros para validação no Estado. É um desafio que exige investimento em tecnologia, modernização e estrutura”, afirmou.
Segundo o presidente, a demora na análise não afeta apenas a regularização ambiental, mas também o desempenho do agronegócio, setor que responde por mais de 70% do PIB tocantinense.
De acordo com Cledson, exigências crescentes de instituições como o Banco Central do Brasil têm pressionado produtores, principalmente em relação a áreas embargadas e novos mecanismos de controle, como alertas de desmatamento.
“A solução para esses problemas passa pela análise do CAR. O Estado será cada vez mais demandado e pressionado por isso”, explicou.
Recursos como saída
O projeto em tramitação prevê a liberação de recursos por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, dentro do programa SustenTO, e é apontado como estratégico para resolver esse gargalo.
Segundo Cledson, parte significativa dos investimentos deve ser destinada justamente à estruturação do Naturatins, com foco em dar mais agilidade às análises.
“Hoje a sociedade não pode mais esperar longos prazos. Precisamos ser mais ágeis, e essa agilidade passa pela modernização”, disse.
Entre as melhorias previstas estão:
- evolução de sistemas como o 5K 2.0;
- implantação de novas tecnologias;
- reforço em suporte técnico e operacional;
- ampliação da capacidade de análise.
Prazo pressiona decisão
A liberação dos recursos depende da aprovação do projeto pelos deputados estaduais até o dia 18 de abril. Caso contrário, o Estado pode perder o aporte financeiro.
Para o Naturatins, a medida é decisiva não apenas para a política ambiental, mas também para destravar demandas do setor produtivo e dar respostas mais rápidas à população.
“Esses investimentos são fundamentais para que possamos ser eficientes e responder na velocidade que a sociedade precisa”, concluiu o presidente.