
O Partido dos Trabalhadores no Tocantins anunciou a criação da Comissão de Heteroidentificação, tornando-se o primeiro diretório estadual da sigla no país a adotar formalmente o mecanismo interno de verificação racial. A medida foi apresentada como um marco no enfrentamento ao racismo e na proteção das políticas de ação afirmativa dentro da legenda.
O anúncio foi feito durante a inauguração da nova sede estadual do partido, batizada de Casa Companheira, em evento que reuniu militantes e lideranças. Na ocasião, o presidente estadual da sigla, Nile William, classificou a iniciativa como uma conquista histórica e reforçou que o objetivo é garantir que as políticas voltadas à população negra sejam destinadas, de fato, a quem tem direito.
A proposta da comissão foi construída a partir de articulação do secretário nacional de Combate ao Racismo do partido, Tiago Soares. Segundo a direção estadual, o instrumento busca evitar fraudes na autodeclaração racial em processos internos e assegurar maior rigor na aplicação das cotas partidárias.
De acordo com a legenda, a comissão atuará como instância responsável por validar autodeclarações raciais em situações previstas pelo partido, seguindo critérios já adotados em universidades e concursos públicos pelo país. A intenção, segundo o PT tocantinense, é fortalecer as políticas de inclusão e impedir o que classificam como “oportunismo” em relação às pautas históricas do movimento negro.
Durante o evento, a direção destacou que a criação da comissão representa um posicionamento político claro contra o racismo estrutural e institucional. “Não é favor, é reparação histórica feita com coragem coletiva”, afirmou a sigla em nota divulgada à militância.
Com a medida, o Partido dos Trabalhadores no Tocantins afirma que pretende consolidar mecanismos internos de fiscalização e ampliar o debate sobre justiça racial dentro da estrutura partidária. A expectativa é que a iniciativa sirva de referência para outros diretórios estaduais da legenda no país.