Vereadores indígenas rebatem ARPIT e pedem troca no DSEI do Tocantins

Vereadores indígenas e lideranças de diversas comunidades do Tocantins divulgaram uma nota pública em que defendem a substituição da atual coordenação do Distrito Sanitário Especial Indígena do Tocantins, hoje sob responsabilidade de Hará Javaé, e rebatem críticas feitas pela Articulação dos Povos Indígenas do Tocantins.

No documento, os parlamentares afirmam que a solicitação de mudança não partiu de iniciativa política externa, mas sim de uma construção coletiva envolvendo vereadores indígenas, lideranças comunitárias e caciques de diferentes etnias. Segundo eles, a decisão foi tomada após sucessivos relatos de problemas na prestação de serviços de saúde nas aldeias.

Entre as principais queixas apontadas estão a falta de medicamentos, ausência de profissionais de saúde, estruturas precárias ou abandonadas e dificuldades de acesso ao atendimento. Também foram relatadas falhas na logística, como transporte insuficiente, além da falta de diálogo entre a gestão e as comunidades indígenas.

A nota ainda menciona denúncias mais graves envolvendo a condução administrativa, como perseguição a servidores, remanejamentos considerados indevidos e uso da estrutura do DSEI para fins políticos, com favorecimento direcionado a determinados grupos.

Diante desse cenário, os vereadores indígenas defendem a substituição do atual coordenador e a nomeação de uma liderança indígena com atuação direta nas comunidades. O nome indicado é o do líder da etnia Krahô, Magayve Xôxô, técnico de enfermagem da saúde indígena, vinculado ao próprio DSEI Tocantins e com atuação no município de Itacajá.

Segundo os parlamentares, a indicação representa mais do que uma escolha administrativa. Trata-se, afirmam, de um ato político legítimo, alinhado aos princípios da equidade, da interculturalidade e da justiça social, ao defender que a gestão da saúde indígena seja conduzida por quem conhece de perto a realidade das aldeias.

Os vereadores também saíram em defesa do deputado Ricardo Ayres, citado pela ARPIT como responsável por uma suposta interferência no DSEI. Segundo eles, o parlamentar atuou apenas como interlocutor da demanda, encaminhando às autoridades federais uma reivindicação construída pelas próprias comunidades indígenas.

Ainda de acordo com os signatários, a entidade que fez as críticas não representa a totalidade dos povos indígenas do estado e não pode se sobrepor à manifestação de vereadores eleitos e lideranças comunitárias.

A nota encerra reforçando que a mobilização não se trata de disputa política, mas de uma resposta à situação enfrentada nas aldeias. “O que está em debate é a vida das pessoas, o direito à saúde e o respeito às comunidades indígenas”, concluem.

Quem assinou
Assinam a nota os vereadores indígenas Micael Weheria Vinicius Batista Javaé, de Formoso do Araguaia, Ercílio Rocha Dias Apinajé, de Maurilândia, Edimar Srênõkrã Calixto Xerente, de Tocantínia, Valmir Filho Teixiba, de Sandolândia, Renato Yahė Krahô, de Itacajá, Leomar Wainne Xerente, de Tocantínia, e Elso Krensú Xerente, também de Tocantínia.