Foto: W Prasongsin Stulio/Getty Images
Foto: W Prasongsin Stulio/Getty Images

Com a iminência do 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, um novo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública foi divulgado, nesta quarta-feira (4), e mostrou que, só em 2025, 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil. O crescimento foi de 4,7%, em relação ao ano anterior.

“O 8 de março é, desde sua formalização como Dia Internacional da Mulher, uma data de reivindicação de direitos. Significa que ele existe, no limite, porque mulheres ainda não têm a plena concretização de seus direitos, incluindo o direito a uma vida livre de violência”, afirma a instituição.

Desde a tipificação da Lei do Feminicídio, em março de 2015, ao menos 13.703 mulheres já foram assassinadas somente por serem mulheres, feminicídio é quando o crime decorre de condições de sexo feminino, seja em contexto de violência doméstica e familiar, seja em outros contextos de menosprezo ou discriminação à mulher.

“Não se trata de um ato impulsivo isolado, mas do desfecho de dinâmicas de controle coercitivo, ciúme possessivo, disputas sobre autonomia e resistência masculina à ruptura do relacionamento”, diz o estudo.

São Paulo lidera a lista de estados com o maior número de feminicídios no ano passado, com 270 casos; seguido de Minas Gerais, com 177; e Rio de Janeiro, com 104.

Mas é nas cidades pequenas, de até 100 mil habitantes, que o crime é mais praticado. Nelas, 41% da população é feminina e há a concentração de 50% dos feminicídios do país. Nessas localidades, apenas 5% têm delegacia da mulher e 3%, casa abrigo.

Um dado relacionado a este fato é que entre 2021 e 2025, dos 1.127 feminicídios registrados, 148 mulheres (13,1%) foram mortas mesmo tendo uma Medida Protetiva de Urgência (MPU) vigente.

Quem é a vítima, o assassino e como o feminicídio acontece

  • Vítimas: 62,6% das vítimas são mulheres negras; metade tem entre 30 e 49 anos; 48,7% são mortas por arma branca e 25,2% por arma de fogo.
  • O feminicídio atinge majoritariamente mulheres adultas, inseridas em relações afetivas ou recentemente rompidas.
  • Autores: 59,4% são companheiros, 21,3% são ex-companheiros e 10,2% são outros familiares.
  • A quase exclusividade masculina na autoria indica que estamos diante de uma forma de violência vinculada a padrões de masculinidade que associam poder, controle e posse à identidade masculina.
  • Entre 2021 e 2024, 59,4% das vítimas foram mortas pelo companheiro e 21,3% pelo ex-companheiro. Outros familiares respondem por 10,2% dos casos. Desconhecidos representam 4,9% das ocorrências.
  • Em outras palavras, mais de 8 em cada 10 feminicídios foram praticados por homens que mantinham ou já tinham mantido vínculos afetivos íntimos com a vítima. Apenas 4,9% foram mortas por desconhecidos.
  • Local do crime: 66,3% dos casos acontecem na residência da vítima. A via pública aparece em segundo lugar, com 19,2% dos registros, enquanto estabelecimentos comerciais ou financeiros (3,4%), áreas rurais (2,2%), sítios e fazendas (2%), bem como hospitais (1,4%), representam percentuais significativamente menores.
  • A arma do crime: armas brancas (como facas, por exemplo) foi empregada em 48,7% dos casos, enquanto a arma de fogo esteve presente em 25,2% das ocorrências.

Fonte: Metrópoles