
A Justiça do Tocantins converteu em preventiva, nesta quinta-feira (15), a prisão do médico José Aristides Campelo Cabral e do irmão dele, o estudante de medicina Pedro Campelo Cabral, suspeitos de envolvimento em um ataque a tiros contra a casa de uma médica e professora universitária em Gurupi. A Polícia Civil investiga se o crime foi motivado por desentendimentos acadêmicos.
O ataque ocorreu na madrugada de quarta-feira (14), em uma residência anexa a uma clínica. Os filhos da professora também estavam no imóvel, conforme o boletim de ocorrência. Ninguém ficou ferido.
Imagens de câmeras de segurança mostram uma caminhonete branca passando em frente ao endereço no momento dos disparos. A perícia esteve no local, e os investigadores reuniram depoimentos de testemunhas e solicitaram as gravações para esclarecer a dinâmica do crime.
O caso foi registrado inicialmente como tentativa de homicídio. Também são apurados possíveis crimes de disparo de arma de fogo em local público, dano qualificado, porte ilegal de arma de fogo e resistência à prisão.

Polícia investiga possível motivação acadêmica
Segundo apuração, Pedro teria sido reprovado em disciplinas ministradas pela vítima na Universidade de Gurupi (UnirG) e estaria sob risco de nova reprovação no segundo semestre de 2026. A possível relação entre essas circunstâncias e o ataque é uma das linhas investigadas.
Conforme o registro policial, os irmãos admitiram ter ido ao endereço da professora naquela madrugada, mas alegaram que pretendiam convidar os filhos dela para um passeio de bicicleta. A versão foi contestada pelos moradores da residência.
A professora solicitou uma medida protetiva contra os dois investigados.
Irmãos foram presos em boate
Após levantar informações sobre o veículo suspeito de ter sido utilizado no ataque, os policiais localizaram um carro nas proximidades de uma boate de Gurupi. Os irmãos foram abordados dentro do estabelecimento, onde, segundo o boletim de ocorrência, consumiam bebidas alcoólicas.
Os agentes relataram que houve resistência à abordagem e que precisaram utilizar força física para contê-los. Na vistoria do veículo, foram apreendidos uma pistola calibre 9 milímetros com documentação regular, um carregador e munições.
Em depoimento, os irmãos negaram participação nos disparos e afirmaram que não haviam saído da boate naquela noite. Funcionários, porém, disseram à polícia que eles tinham chegado pouco antes da aproximação da viatura.
Um dos investigados declarou possuir registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) e informou que outras armas em seu nome já haviam sido apreendidas em uma ocorrência relacionada à Lei Maria da Penha.
Os dois foram encaminhados à Central de Flagrantes. A conversão das prisões em preventivas ocorreu após audiência de custódia.
UnirG e CRM se manifestam
Em nota, a UnirG repudiou atos de violência e intimidação contra integrantes da comunidade acadêmica. A instituição informou que instaurou um procedimento administrativo para apurar os fatos e disponibilizou apoio à professora.
O Conselho Regional de Medicina do Tocantins (CRM-TO) também manifestou preocupação com o episódio envolvendo a médica e seus familiares. A entidade declarou que adotará as providências legais e éticas cabíveis para apurar a conduta do profissional.
A investigação é conduzida pela 3ª Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Gurupi.
Íntegra da nota do CRM
O Conselho Regional de Medicina do Tocantins (CRM-TO) manifesta preocupação diante dos fatos ocorridos em Gurupi, envolvendo uma médica e seus familiares, especialmente diante das informações sobre o possível envolvimento de um médico e de um estudante de Medicina na prática do suposto crime.
O Conselho acompanha a situação com atenção e adotará as medidas cabíveis no âmbito de suas atribuições legais e éticas, inclusive junto aos órgãos competentes, para que os fatos sejam devidamente apurados.
O CRM-TO reafirma seu compromisso com a ética médica, a responsabilidade profissional e o respeito à sociedade, destacando que situações dessa natureza exigem apuração rigorosa e providências adequadas.
Conselho Regional de Medicina do Tocantins
Íntegra da nota da Unirg
Diante dos fatos ocorridos na madrugada desta quarta-feira (14/10), a Fundação UnirG e a Universidade de Gurupi – UnirG manifestam seu veemente repúdio a qualquer forma de violência, ameaça ou intimidação contra docentes, servidores e demais membros de sua comunidade acadêmica.
A Presidência da Fundação UnirG e a Reitoria expressam sua solidariedade à professora atingida, do Curso de Medicina e a seus familiares, a quem a Instituição presta todo o apoio necessário. A violência é absolutamente incompatível com os valores que orientam a vida universitária, e nenhuma forma de intimidação será tolerada.
Diante da gravidade dos fatos, a UnirG adotou de imediato as medidas administrativas cabíveis para sua apuração, com observância do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, e colabora com as autoridades responsáveis pela investigação. Por meio dos setores competentes, a Instituição também promove medidas de acolhimento e suporte à docente.
A UnirG mantém sistema de monitoramento eficiente e vigilantes experientes em todos os seus prédios, atentos a qualquer situação suspeita, de modo a garantir a proteção de estudantes, professores e servidores em suas atividades diárias.
A Instituição reafirma seu compromisso com a segurança, a ética e o respeito em toda a comunidade universitária.