
A Polícia Civil do Tocantins concluiu, nesta segunda-feira (4), uma investigação conduzida pela 11ª Delegacia de Araguatins que resultou no indiciamento de dois homens, pai e filho, de 74 e 42 anos, suspeitos de extorsão, estelionato e usurpação de função pública no município de Araguatins, no norte do estado.
Segundo as apurações, a dupla se apresentava de forma falsa como representante da Associação Nacional de Agricultura (ANU) e cobrava valores indevidos de pessoas vinculadas a uma associação local. Eles prometiam acesso a lotes de reforma agrária e exigiam pagamentos das vítimas, muitas vezes sob pressão, inclusive por meio de transferências via PIX.
As investigações apontaram que as cobranças eram irregulares. De acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a criação de projetos de assentamento é de responsabilidade exclusiva do órgão, não havendo autorização para cobranças feitas por terceiros.
Com a quebra de sigilo bancário, a polícia identificou que o pai aparecia como principal destinatário dos valores movimentados, o que indica, segundo a investigação, participação direta no esquema.
O delegado responsável pelo caso, Gilmar Silva de Oliveira, ressaltou a gravidade da ação e os prejuízos causados às vítimas. Ele destacou que o esquema explorava a vulnerabilidade de famílias que aguardam acesso à terra e que não havia qualquer respaldo legal nas cobranças realizadas.
Diante das provas reunidas, foi recomendado que os investigados interrompam imediatamente qualquer tipo de cobrança, sob risco de prisão preventiva. Também foram sugeridas medidas cautelares, como a proibição de contato com as vítimas e de acesso a locais relacionados ao caso.
A Polícia Civil informou ainda que há indícios de intimidação contra vítimas e que as investigações continuam para identificar e responsabilizar outros possíveis envolvidos.