Eduardo Siqueira - Foto: Flavio Cavalera
Eduardo Siqueira - Foto: Flavio Cavalera

A suspensão judicial da terceirização das UPAs Norte e Sul abriu uma nova frente de embate em Palmas e levou o prefeito Eduardo Siqueira Campos a reagir em tom firme. Em entrevista, o gestor afirmou que a decisão do Tribunal de Justiça é de difícil execução prática e defendeu o modelo implantado pela prefeitura, dizendo que a população já começou a sentir os resultados.

“É impossível você cumprir em 15 dias o que foi decidido”, afirmou o prefeito ao comentar a liminar que manda o município reassumir a administração direta das unidades. “Nós vamos recorrer, claro que vamos recorrer”, reforçou.

A decisão da desembargadora Hélvia Túlia Sandes Pedreira suspendeu os efeitos do contrato entre a prefeitura e a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba e determinou a retomada da gestão direta em duas semanas, além do depósito em juízo dos valores já repassados.

Para Eduardo, a medida desconsidera a complexidade da transição já em curso. Ele afirmou que a mudança para o novo modelo não é reversível de forma imediata porque envolveu desmontar contratos antigos, remanejar servidores e estruturar uma nova operação.

“Eu já não tenho mais os funcionários, eles optaram pelas UBS, estão lá trabalhando. E a entidade também já contratou pessoas, já colocou gente nas unidades”, disse.

Segundo ele, além das equipes, toda a estrutura foi alterada. “Nós rescindimos contratos de laboratório, imagem, medicamentos, insumos, limpeza, alimentação… é muita coisa. Se eu dei fim nesse casamento, não sei qual noiva quer voltar assim sem exigências para o poder público”, declarou.

“A população está vendo diferença”

Ao rebater críticas ao contrato e a tese de superfaturamento apontada na decisão, Eduardo questionou a base dos números. “Falam em aumento de 800%, mas 800% em cima de quê?”, questionou. “Tem ortopedia funcionando, pediatria funcionando, informatização, reestruturação dos prédios, aparelhos novos. Isso não existia antes.”

O prefeito sustentou que a terceirização já trouxe reflexos positivos e citou, inclusive, impacto no Hospital Geral de Palmas. “Só de ter aberto ortopedia e pediatria já foi uma festa para a população”, afirmou. “Não são menos de 180 crianças por dia e 30, 40 pacientes na ortopedia. Isso ajuda a aliviar o HGP. O próprio secretário estadual me parabenizou por isso.”

“Não vou deixar cair no chão”

Eduardo também afirmou que a proposta é elevar o padrão do atendimento público. “O sonho é ver a população sendo atendida quase como em um plano de saúde. Eu não vou deixar isso cair no chão”, declarou.

Ele afirmou que as mudanças ainda nem chegaram à metade do que a prefeitura planejou para o período de transição. “São 60 dias de transição e ainda nem estamos na metade do que vamos colocar lá dentro”, disse.

O prefeito voltou a reforçar que a gestão considera a decisão uma surpresa, mas garantiu cumprimento institucional enquanto busca reverter a liminar. “Decisão judicial se cumpre. Agora, também se recorre. E o município vai recorrer”, afirmou.

Defesa do modelo

Eduardo ainda argumentou que Palmas apenas aderiu a um modelo já adotado em outras capitais “Somos a última capital a aderir a esse sistema. As outras 26 já têm entidades à frente das unidades”, disse.

Ele também afirmou que a gestão tentou outras soluções antes de optar pela terceirização. “Eu exauri todas as possibilidades. Tentei de todo jeito antes de chegar aqui”, declarou.

Ao comentar o foco da administração, resumiu: “Sua excelência é o paciente. Na saúde, meu foco é quem busca atendimento.”

O que diz a Prefeitura

Em nota na manhã desta quinta-feira, a Prefeitura de Palmas se manifestou por meio de nota após a decisão judicial que suspendeu o contrato de gestão das UPAs Norte e Sul e afirmou que, até o momento, não foi oficialmente intimada da determinação.

Em nota, o município destacou que toda decisão judicial prevê prazo legal para recurso e informou que, no momento oportuno, adotará as medidas cabíveis dentro do processo.

A gestão municipal também buscou tranquilizar a população quanto à continuidade dos serviços de saúde. Segundo a Prefeitura, o atendimento nas unidades segue normalmente, sem qualquer interrupção, inclusive em áreas consideradas sensíveis, como pediatria e ortopedia.

Entenda

A liminar do TJTO reformou decisão de primeira instância e apontou indícios de irregularidades no contrato, incluindo possível descumprimento do Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil.

Entre os pontos destacados está o salto do custo anual das UPAs de R$ 16,8 milhões para R$ 139,1 milhões, cerca de 800% de aumento, além de divergências entre previsões orçamentárias e valores previstos para a parceria.

Apesar disso, Eduardo sustenta que o debate sobre mérito ainda será aprofundado e aposta na reversão da medida. “Temos consciência do passo que demos”, disse. “E definitivamente retirar da população aquilo que foi conquista não tem como fazer.”

Brener Nunes

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins