
Brener Nunes – Gazeta do Cerrado
A três dias da eleição, o candidato a vice-governador Amélio Cayres (MDB) usou o último grande encontro da chapa de Vicentinho Júnior (PSDB) antes da votação para falar de um assunto que, segundo ele, vinha evitando durante a campanha: sua relação com o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) e a mudança de rumo que o colocou no campo adversário na disputa pelo Palácio Araguaia.
Sem fazer ataques diretos ao governador, Amélio disse respeitar Wanderlei, mas deixou uma mensagem ao recordar o período em que esteve entre os nomes cogitados para a sucessão estadual. “Tive por três anos e dois meses como candidato a governador nesse estado. Não deu certo, não vou falar de ninguém. Tenho o maior respeito pelo governador que aí está. Não gosto de estar falando essas coisas. Mas comigo, Júnior, eu não consigo transformar sentimento em ressentimento.”
A declaração foi feita nesta quinta-feira (1º), durante a última reunião da campanha antes do primeiro turno, marcado para domingo (4).
Amélio esteve durante anos no grupo político de Wanderlei e chegou a trabalhar para ser o nome apoiado pelo governador na sucessão. O cenário mudou com a consolidação da candidatura da senadora Professora Dorinha (União Brasil), apoiada pelo atual chefe do Executivo. Amélio deixou o Republicanos e acabou formando chapa com Vicentinho Júnior.
Em julho, já aliado de Vicentinho, Amélio chegou a afirmar que o próprio Wanderlei dizia anteriormente que a construção da chapa de Vicentinho dependeria da presença dele e de Alexandre Guimarães na composição.
‘Projeto não é do governador’
No discurso desta quinta, Amélio procurou apresentar a atual aliança como um projeto desvinculado das lideranças que comandam os grupos políticos estaduais.

“Não vou falar da vida de ninguém. Porque nós temos aqui um projeto que não é do governador, que não é do senador, é o projeto do povo. E eu gosto de estar onde está o povo”, afirmou.
Na sequência, dirigiu-se a Vicentinho e disse que colocou sua experiência política à disposição da chapa.
“Por isso que eu te escolhi para ser o meu governador desse estado. Com a minha experiência, que Deus me deu ao longo de 28 anos de vida pública, mas com a mesma humildade, com a mesma atenção de sempre, me colocar à sua disposição”, declarou.
Amélio diz que grupo começou pequeno
O candidato a vice também relembrou o início da campanha ao lado de Vicentinho e do candidato ao Senado Alexandre Guimarães (MDB). Segundo Amélio, os primeiros encontros chegaram a reunir grupos de dez ou 20 pessoas, antes de a candidatura ganhar novas adesões.
Ele afirmou que a chapa percorreu diferentes regiões do Tocantins e destacou as conversas realizadas diretamente com moradores durante as viagens.
“Às vezes sentar com uma pessoa no banco de uma praça, no fundo do quintal, ouvir, é a melhor forma de construir um projeto”, disse.
Amélio também reconheceu que o grupo conta com poucos prefeitos, mas afirmou que possui lideranças municipais mesmo em cidades onde os gestores apoiam outras candidaturas.
Recado sobre o Palácio Araguaia
Outra promessa feita por Amélio foi a de abrir o Palácio Araguaia para receber moradores caso a chapa seja eleita.
Segundo ele, a recepção encontrada nas casas durante a campanha deveria ser reproduzida na sede do Governo do Tocantins.
“O mesmo carinho, a mesma atenção, a mesma receptividade que nós tivemos quando visitávamos a casa do povo, nós vamos abrir as portas daquele Palácio Araguaia para receber a nossa gente”, afirmou.
O candidato disse ainda que pretende levar esse princípio como uma marca da eventual gestão de Vicentinho.
‘Eu não vou correr’
Na reta final do discurso, Amélio também adotou um tom de enfrentamento ao comentar as pressões políticas enfrentadas pela chapa durante a campanha, embora não tenha citado nomes nesse trecho.
“Por mais que tentavam correr com nós, às vezes batiam o pé. Nós, por educação, às vezes damos um passo atrás. Mas, se provocar e bater o pé, eu não vou correr, é para cima”, declarou.
Ele também afirmou que não pretende usar uma eventual vitória para retaliar adversários: “Nós vamos ganhar essa eleição. Não para pisar em ninguém”.
Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!
Coluna escrita por Maju Cotrim escritora e consultora de comunicação. CEO Editora-Chefe da Gazeta do Cerrado. Jornalismo de causa, social, político e anti-fake!