Ato contra o feminicídio e a misoginia mobiliza Porto; Paulo Mourão pede melhorias nas redes de proteção à mulher

Nesta sexta-feira (31), em clima de indignação, o candidato ao Senado Paulo Mourão (PT), se juntou a diversos movimentos sociais em ato público contra o feminicídio e a misoginia. Ato teve início às 16h, na Praça do Centenário, no município de Porto Nacional e teve cerca de 200 participantes.

A manifestação ocorre após 4 dias da trágica notícia do feminicídio que ceifou a vida da enfermeira Morgana Monteiro, de 45 anos, em quadra da capital tocantinense. Com pesar que traz ainda mais tristeza, mais um feminicídio causou revolta, principalmente, entre os movimentos feministas do estado: ontem (30), Tatiana dos Santos, de 44 anos, foi assassinada pelo ex-marido em Araguaína.

O petista Paulo Mourão, ao solidarizar-se com os familiares de Morgana, falou em “brutalidade que não deve ser aceita” e endureceu tom ao falar sobre “um manto de processo que se diz seguro, protetivo, mas que é falho”. A fala concatena com a existência de uma medida protetiva de urgência que a vítima tinha contra o ex-companheiro, mas que não logrou êxito no amparo em mantê-la viva e em segurança.

Ana Cleia Kika, Mestra em Comunicação e Sociedade, militante do Movimento Negro Unificado (MNU) e uma das lideranças responsáveis pelo chamamento do ato, relembra da figura de Morgana como uma servidora pública exemplar, além de ser muito conhecida em Porto Nacional pelo seu trabalho na Unidade de Pronto Atendimento do município.

Os coletivos feministas, ao anteciparem ações que iriam compor as atividades do Agosto Lilás, reforçam o momento em prol da memória de Morgana e de suas contribuições, tanto no município de Porto Nacional, como em Palmas, enquanto agente do Centro de Atendimento Socioeducativo (Case).

“Vamos pedir que a sociedade se levante e não deixe apenas nas mãos do poder público o problema da violência contra a mulher. […] A sociedade, principalmente os homens, devem ter o papel de dizer não ao feminicídio, sendo nossos aliados e não aceitando agressores em seu convívio”, comenta Kika.

Ana Cleia lembra, também, da importância das mães na construção de uma educação que ensine às crianças não reproduzirem violências no âmbito doméstico. Ela reivindica às autoridades locais maior atenção às pautas das mulheres, bem como a efetivação de políticas públicas que reduzam, e por fim, extingam a misoginia e o feminicídio no Tocantins.

Cabe ressaltar que, de 2024 para 2025, as taxas de feminicídio aumentaram mais de 50% no Estado do Tocantins, que atingiu a 4ª maior taxa do país, com 2,5 casos para cada 100 mil mulheres. Outros crimes relacionados à violência contra a mulher também registraram aumento, como a lesão corporal no contexto de violência doméstica, que cresceu 5,3% no último ano.

Paulo Mourão demonstrou empatia ao falar da dor que familiares sentem neste momento, que chega até toda a sociedade. “Que proteção é essa, justiça brasileira? Que “pulseira” (tornozeleira eletrônica) é essa que se coloca nos assassinos de mulheres, mas não consegue protege-las? Precisamos fazer um pacto pela vida das mulheres. A vida das mulheres nos interessa e muito!”, protesta.

“Esses assassinos de mulheres precisam ser trancados para o resto da vida e não estarem no meio da sociedade!”, concluiu o candidato ao Senado. O ato continuou com uma passeata, tendo entre as presenças, os coletivos Gruconto, Mulheres em Movimento, Marcha Mundial das Mulheres, Enegrecer, Ajunta Preta, além da participação da vice-prefeita de Tocantínia (irmã de Morgana), Jordana Monteiro e do prefeito de Porto Nacional, Ronivom Maciel.