Foto: Marco Jacob
Foto: Marco Jacob

Exposição na CASACOR Tocantins apresenta tempos e modos de vida dos povos originários
Instalada na Praça dos Povos Indígenas, “Tempos e modos de vida” reúne fotografias, obras de arte, objetos e referências à arquitetura indígena em um percurso sobre saberes e relações com o território
Os tempos e os modos de vida dos povos originários estão no centro de uma exposição na CASACOR Tocantins 2026. Instalada na Praça dos Povos Indígenas, “Tempos e modos de vida” convida o público a conhecer conhecimentos, práticas e expressões culturais que atravessam gerações e seguem presentes no Estado. Fotografias, obras de arte, objetos e narrativas compõem um percurso sobre as relações entre moradia, comunidade, natureza e território.

O ambiente integra a mostra, que tem como tema “Mente e Coração”. A exposição foi construída ao longo de meses, com pesquisa, escuta e a colaboração de artistas, pesquisadores, arquitetos, produtores e outros profissionais. Seu eixo curatorial é apresentar os tempos e os modos de vida dos povos originários, aproximando o visitante de saberes ancestrais e de suas expressões no presente.
O projeto expográfico é assinado pela ST Arquitetura, de Maria Stella Tedesco Bertaso, com Renata S. P. Fernandes, Natalie Rachid Baptista e Joana Neves Sampaio. A expografia organiza as obras, fotografias, objetos e narrativas em quatro dimensões: Morada, Rituais, Alimentação e Artefatos. Cada uma oferece ao visitante uma maneira de se aproximar dos conteúdos reunidos na exposição.

Na Morada, as referências à arquitetura indígena convidam a observar as relações entre construção, materiais e ambiente. Madeira, palha, fibras, cipós e barro aparecem nesse percurso como elementos para conhecer técnicas e soluções de habitação. O núcleo abre espaço para pensar como a construção de uma casa se relaciona com o clima, o território e a vida em comunidade, respeitando as particularidades de cada povo. Daniel Aricana participa da arquitetura dedicada à habitação.

Os núcleos Alimentação e Artefatos ampliam esse olhar para as práticas do cotidiano. Cestarias, bancos, remos, adornos e outros objetos permitem observar os conhecimentos envolvidos em sua produção e seus diferentes usos e significados. As peças aproximam o público das relações entre função, técnica, expressão artística e memória.

Já o núcleo Rituais reúne referências a celebrações, cantos, pinturas e passagens da vida. Esses conteúdos convidam o visitante a conhecer expressões culturais e suas relações com a vida comunitária, sem reduzir a diversidade dos povos a uma única maneira de viver ou compreender o mundo.

A exposição apresenta referências aos povos Inỹ, Mehin, Akwẽ e Panhĩ. Suas histórias e expressões culturais ajudam a conhecer a diversidade indígena presente no Tocantins. O percurso abre espaço para diferentes maneiras de contar o território, por meio das obras, imagens, objetos e narrativas selecionados.

Essa diversidade também orientou o processo de criação. A concepção e a curadoria coletiva reúnem Joana Honório, Célio Thorkan Kanela, Marco Aurélio Jacob, Ronan Gonçalves (ROGO) e Risia Lima. O texto curatorial é de Risia Lima, e a produção é assinada por Gabi Bittar.

Integram a exposição obras dos artistas visuais Narúbia Werreria, Txibie Karajá, Vinicius Alcerte e Divino Alcan. As fotografias de Emerson Silva, Nandyala Waritirre e Marco Aurélio Jacob também compõem a narrativa, contribuindo para o encontro do público com os temas apresentados.

O projeto conta ainda com acervo de Risia Lima e Marco Aurélio Jacob, textos de ambos e de Mara Nascimento, além do trabalho de profissionais responsáveis pela execução, pelo paisagismo, pela iluminação, pela comunicação visual e pela montagem.

Para Ronan Gonçalves (ROGO), integrante da concepção e da curadoria coletiva, a experiência não se encerra na visita. “O que permanece de uma experiência como essa não está apenas nos objetos, nos ambientes ou nas imagens, mas nos encontros produzidos, nas perguntas despertadas e nos conhecimentos compartilhados”, afirma.

A exposição “Tempos e modos de vida” propõe esse encontro. Ao percorrê-la, o visitante é convidado a olhar com mais atenção para materiais, técnicas e expressões culturais presentes no Tocantins e a se perguntar de quem são as histórias que costuma ouvir sobre o Estado. É uma oportunidade de conhecer os saberes de seus povos originários a partir das obras, imagens e narrativas reunidas na mostra.

Serviço

CASACOR Tocantins 2026 — Exposição “Tempos e modos de vida”
Ambiente: Praça dos Povos Indígenas
Local: Orquidário de Palmas (AMA)
Visitação: até 10 de outubro de 2026

Fotos: Marco Jacob