Mãe de menino morto em Palmas publica vídeo emocionante em homenagem ao filho: "Eu te amo mais que tudo nessa vida"

Após sepultar o filho de 3 anos, Gustavo Veloso Feitosa, Sabrina da Silva Feitosa emocionou as redes sociais ao publicar vídeos em homenagem ao menino. Nas imagens, gravadas antes da morte da criança, mãe e filho aparecem abraçados enquanto completam juntos uma declaração de amor.

Sabrina inicia a frase dizendo “Eu te…”, e Gustavo responde “amo”. Em seguida, ela continua: “mais que…”, e o menino completa: “tudo”. Por fim, a mãe diz “nessa…” e a criança conclui: “vida”.

As publicações foram feitas no decorrer desta quinta-feira, 6, poucas horas após a prisão do pai do menino, o advogado Igor Gustavo Veloso de Souza, e da madrasta, Kathellen Moreira. Os dois são investigados pela morte da criança e passaram a responder por homicídio duplamente qualificado e tortura.

O caso ganhou novos contornos após a divulgação do laudo pericial, que descreve uma sequência de agressões sofridas por Gustavo antes da morte. O documento aponta hemorragia interna, múltiplas lesões pelo corpo, marcas de violência no rosto e uma grave laceração intestinal. Segundo a perícia, a criança morreu em circunstâncias marcadas por “crueldade, insensibilidade, indiferença e multiplicidade de lesões”.

Em entrevista após a morte do filho, Sabrina afirmou que já havia percebido sinais de agressões quando Gustavo retornava das visitas ao pai.

“Mostrei as fotos e ele falava que o menino tinha caído. Ele tinha todo um argumento. Mandei o vídeo para ele dizendo que não era certo, porque meu filho estava daquele jeito. Toda vez que ele via ou escutava a voz dele, ficava com medo. Depois começou a dizer que o pai batia nele”, relatou.

Segundo a defesa da mãe, ela não impedia a convivência entre pai e filho porque temia ser acusada de alienação parental. Paralelamente, movia uma ação judicial cobrando o pagamento de pensão alimentícia.

Durante coletiva de imprensa, o delegado Eduardo Menezes afirmou que as lesões encontradas na região anal e intestinal da criança, conforme apontam os elementos reunidos até o momento, ocorreram em um contexto de extrema violência.

“O que a gente entendeu é que essas lacerações no ânus e no intestino fazem parte desse contexto de forte agressão. Foi um instrumento utilizado como meio de tortura”, afirmou.

O delegado ressaltou que a hipótese de violência sexual ainda não foi descartada e que a tipificação dos crimes poderá sofrer alterações à medida que novos laudos forem concluídos.

O enterro de Gustavo ocorreu na terça-feira (4) e foi marcado por forte comoção. A imagem da mãe debruçada sobre o caixão do filho repercutiu nas redes sociais e mobilizou manifestações de solidariedade e pedidos por justiça.

Defesas

A defesa de Igor Gustavo Veloso de Souza informou que ele colaborou com as investigações desde o início e se apresentou voluntariamente para cumprir o mandado de prisão, após acordo prévio com a autoridade policial. Os advogados afirmaram ainda que não irão comentar o mérito do caso em razão do sigilo das investigações.

Já a defesa de Kathellen Moreira disse ter recebido com surpresa a decisão que decretou a prisão preventiva. Os advogados alegam que ela é mãe de uma bebê de cinco meses, ainda em fase de amamentação, e que essa condição não teria sido considerada pela Justiça. A defesa informou que pedirá a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares ou, alternativamente, por prisão domiciliar, mantendo a investigada à disposição da Justiça durante o andamento do processo.

Brener Nunes

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins