
Dados do 5º Relatório de Transparência Salarial mostram que, mesmo com avanço na participação feminina no mercado formal, a desigualdade entre homens e mulheres ainda é realidade no Tocantins. O levantamento considera empresas com 100 ou mais empregados e tem como base informações da RAIS de dezembro de 2025.
No estado, mulheres ocupam 20,3 mil dos 54,3 mil vínculos formais, o equivalente a 37,4% do total. Os homens seguem maioria, com cerca de 33,9 mil postos de trabalho nessas empresas.
A diferença aparece de forma ainda mais clara na remuneração. Enquanto os homens recebem, em média, R$ 3.343,59, as mulheres ganham R$ 2.702,31, cerca de 19% a menos.
O recorte racial amplia esse cenário: mulheres negras têm média salarial de R$ 2.493,66, abaixo das mulheres não negras, que recebem R$ 3.534,86. Entre os homens, os não negros também lideram os rendimentos, com média de R$ 4.064,41, contra R$ 3.177,84 dos homens negros.
Além da remuneração média, o salário contratual mediano também evidencia a disparidade. No estado, ele gira em torno de R$ 1.677 para mulheres e supera R$ 2,1 mil entre homens, mantendo a distância salarial mesmo em indicadores mais conservadores.
Outro dado relevante do relatório é a concentração feminina em determinados perfis. A maior parte das mulheres empregadas nas grandes empresas do Tocantins é negra, mais de 79% do total feminino, o que reforça o impacto combinado de gênero e raça no mercado de trabalho.
Apesar das diferenças, o estudo também aponta sinais de avanço. O número de mulheres negras empregadas cresceu nos últimos anos, acompanhando a expansão do emprego formal no estado. Ainda assim, o relatório destaca que a equiparação salarial segue como um desafio estrutural.
Os dados fazem parte de um levantamento nacional que acompanha a implementação da Lei de Igualdade Salarial e busca dar transparência às diferenças de remuneração entre homens e mulheres nas empresas brasileiras.