
O descarte dos celulares usados pelo advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa e pela companheira dele, Kathellen Moreira, ocorreu no mesmo dia da morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, segundo a Polícia Civil. Os aparelhos não foram localizados pelos investigadores. O casal está preso e é investigado pela morte da criança, filho de Igor.
A informação foi confirmada nesta segunda-feira (10) pelo delegado Eduardo Menezes, responsável pela investigação. Segundo ele, os dois estavam escondidos em uma casa na região norte de Palmas quando foram localizados pela polícia e não mantinham contato por telefone.
“Eles estavam escondidos em uma casa, sem televisão, sem contato nenhum com telefone celular. Inclusive, os celulares deles foram dispensados, né? O próprio investigado disse que jogou fora”, relatou o delegado durante entrevista coletiva.
Questionado sobre o assunto, Menezes confirmou que os aparelhos teriam sido descartados no dia 3 de agosto, data em que Gustavo foi encontrado morto na residência do pai. Os celulares ainda não foram recuperados.
Para a investigação, a ausência dos aparelhos representa uma dificuldade na reconstrução da rotina do casal no período em que o menino morreu. Conforme o delegado, dados telefônicos poderiam ajudar a identificar mensagens, ligações e outros registros que contribuíssem para esclarecer a dinâmica do crime.
“Uma questão que prejudicou muito a investigação. Hoje, a apreensão de celulares é um fator importante para a investigação”, afirmou. Segundo ele, o descarte ocorreu enquanto Igor e Kathellen estavam hospedados em um imóvel na região norte da capital.
Gustavo foi encontrado morto na casa do pai na segunda-feira (3). Igor e Kathellen foram presos na madrugada de quinta-feira (6) pela 1ª Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em Palmas.
A mãe da criança, Sabrina da Silva Feitosa, mantinha uma disputa judicial com Igor relacionada ao pagamento de pensão alimentícia. Ela também possui medidas restritivas contra o advogado após relatar ameaças.
A defesa de Igor afirmou que ele colaborou com as autoridades e que a entrega do investigado foi realizada de forma voluntária no imóvel onde ele aguardava a equipe policial.
Em nota, a defesa do casal afirmou que as acusações são graves e devem ser analisadas com cautela, por meio de investigação técnica e com respeito ao devido processo legal. Os advogados sustentam que as informações divulgadas publicamente não representam a totalidade do processo e que eventuais conclusões dependem da análise integral das provas no âmbito judicial, assegurados o contraditório e a ampla defesa.
Igor e Kathellen são investigados pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e tortura. Kathellen também é investigada por omissão na condição de garantidora legal. O delegado afirmou que outros crimes podem ser incluídos ao longo da investigação e não descartou a possibilidade de participação de uma terceira pessoa.
Entenda o caso
Exames realizados pelo Instituto Médico Legal (IML) apontaram que Gustavo morreu em decorrência de hemorragia interna provocada por lesões no intestino. A perícia também identificou múltiplas lesões pelo corpo, inclusive na cabeça, além de indícios de violência sexual.
A criança foi encontrada morta sobre a cama, usando apenas uma fralda e enrolada em um edredom. Segundo a polícia, havia hematomas visíveis no rosto e garrafas de bebida alcoólica espalhadas pelo imóvel.
A mãe de Gustavo apresentou aos investigadores registros segundo os quais o filho retornava machucado e aparentemente dopado após visitas à casa do pai desde 2024. Um vídeo gravado antes da morte mostra o menino chorando e se recusando a ir para a residência de Igor. Na gravação, a criança afirma: “Porque ele me bate”.
Após a prisão, Igor foi encaminhado para a Casa de Prisão Provisória de Palmas, enquanto Kathellen foi levada para a Unidade Prisional Feminina.
Íntegra da nota da defesa de Igor Gustavo e Kathellen Moreira
Diante da grande repercussão do caso Gustavo Veloso e das diversas solicitações de manifestação encaminhadas por profissionais da imprensa, a defesa entende necessário prestar um breve esclarecimento.
As acusações apresentadas são graves e, justamente por essa razão, exigem cautela, responsabilidade e análise técnica aprofundada. Neste momento, há uma narrativa acusatória sendo amplamente reproduzida no espaço público. O processo, contudo, não se resume às informações até aqui divulgadas, e conclusões definitivas somente podem ser construídas a partir do exame integral das provas, com respeito ao contraditório e às garantias próprias do processo penal.
A defesa não pretende transformar um processo criminal em uma disputa de versões pela imprensa, tampouco antecipar provas que deverão ser apresentadas no momento e no ambiente adequados. Existem elementos relevantes que estão sendo cuidadosamente analisados e que serão oportunamente submetidos à apreciação das autoridades competentes.
Por respeito à seriedade dos fatos, às pessoas envolvidas e ao próprio trabalho da imprensa, eventuais manifestações da defesa serão feitas com responsabilidade e na medida em que não prejudiquem o regular exercício da defesa. Um julgamento exige prova, contraditório e processo.
A defesa seguirá exercendo seu trabalho com serenidade, responsabilidade técnica e absoluto respeito às instituições.