Deise Carmem de Oliveira Ribeiro tinha 55 anos — Foto: Divulgação/Instagram do GurupiMemes
Deise Carmem de Oliveira Ribeiro tinha 55 anos — Foto: Divulgação/Instagram do GurupiMemes

A Justiça determinou a realização de uma perícia para avaliar a saúde mental de Déborah de Oliveira Ribeiro, uma das acusadas de envolvimento na morte da própria mãe, a empresária Deise Carmem de Oliveira Ribeiro. A medida foi adotada após a defesa alegar possível insanidade mental da ré.

Déborah está presa juntamente com a irmã, Roberta de Oliveira Ribeiro. Segundo as investigações, as duas são suspeitas de participação no assassinato da mãe. A apuração aponta que Deise seria vista pelas filhas como um “embaraço” e que o crime teria relação com o interesse em assumir o controle das finanças da família.

A defesa de Déborah sustentou no processo que ela apresenta um quadro clínico e neuropsiquiátrico complexo e apresentou registros de atendimentos e prontuários médicos. Os advogados também solicitaram a suspensão da audiência de instrução e julgamento, mas o pedido foi negado.

A audiência envolvendo Déborah deverá prosseguir somente após a apresentação do laudo da perícia. Até lá, ela permanecerá detida na Unidade Penal Feminina de Formoso do Araguaia. A decisão foi assinada pela juíza Ana Paula Araújo, da 1ª Escrivania Criminal de Peixe.

Na decisão, a magistrada considerou que os diagnósticos apresentados até o momento não demonstram incompatibilidade com a prisão preventiva nem justificam a transferência imediata para hospital de custódia ou a concessão de prisão domiciliar.

Audiência terá continuidade em novembro

Parte da audiência de instrução ocorreu na terça-feira (22), com o depoimento de quatro testemunhas. Os demais relatos ficaram para novembro diante da impossibilidade de concluir todos os atos no mesmo dia.

Além das duas irmãs, também respondem à ação criminal José Roberto Ribeiro, marido de Deise, e Mateus Viana de Oliveira, genro da vítima. Roberta, José Roberto e Mateus deverão ser interrogados em 27 de novembro. Após essa etapa, caberá à Justiça decidir se os acusados serão submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Relembre o caso

Deise Carmem de Oliveira Ribeiro desapareceu no fim de 2025 e teve o corpo localizado no Rio Santa Tereza em 1º de janeiro de 2026. Conforme a investigação policial, a empresária teria sido levada até uma área rural de Peixe, morta a facadas e posteriormente jogada no rio.

A Polícia Civil tratou o caso como feminicídio por entender que a morte ocorreu em contexto de violência doméstica e familiar.

As investigações apontaram ainda que um celular cadastrado em nome de Deise teria sido utilizado para enviar mensagens a familiares como se fossem escritas pela própria empresária. A suspeita é de que a estratégia buscava fazer parentes acreditarem que ela havia deixado a região voluntariamente e, assim, retardar as buscas.

Segundo a polícia, análises de sinais de torres de telefonia e conexões de internet também foram utilizadas na investigação e indicariam a presença das duas filhas na cena do crime.

José Roberto Ribeiro foi indiciado sob suspeita de dificultar as investigações e eliminar registros considerados relevantes. A polícia informou, porém, que não encontrou indícios de participação dele no assassinato. Conforme os autos, ele teria apagado mensagens e ocultado o veículo que teria sido utilizado para transportar o corpo. José Roberto foi colocado em liberdade em abril e responde ao processo fora da prisão.