
Maju Cotrim
Neste 7 de novembro, o Tocantins celebra as mulheres que fazem do babaçu sustento, conhecimento e identidade. A data integra o calendário cultural do Estado e homenageia também Dona Raimunda Gomes da Silva, liderança do Bico do Papagaio que morreu neste dia, em 2018. Celebrar as quebradeiras de coco é reconhecer a importância de seu ofício e ouvir, com seriedade, as reivindicações que elas apresentaram ao longo do último ano.
As quebradeiras e instituições públicas discutem propostas em defesa dos territórios tradicionais, do babaçu livre e da justiça climática. No Tocantins, uma demanda urgente foi a regularização da Reserva Extrativista do Extremo Norte. Sem segurança territorial e acesso aos babaçuais, muitas famílias veem ameaçada a continuidade de uma atividade que atravessa gerações.
As reivindicações voltaram a aparecer nos encontros realizados este ano. As quebradeiras denunciaram a pulverização de agrotóxicos sobre as palmeiras e seus impactos sobre a saúde, a água, o solo e os animais. Também relataram questões relacionadas à saúde e à merenda escolar. Na etapa regional realizada em Palmas, a coordenadora de base do MIQCB no Tocantins, Francisca Pereira Vieira, pediu apoio para barrar os venenos que atingem os babaçuais e as comunidades.
Essas pautas mostram que a proteção ambiental e a dignidade das trabalhadoras caminham juntas. A defesa das leis do Babaçu Livre, a fiscalização contra danos ambientais e a regularização dos territórios precisam sair dos documentos e se tornar ações permanentes. O poder público também deve garantir que os serviços cheguem às comunidades, com atenção à saúde, à assistência social, à documentação e ao acesso a políticas de apoio à produção.
A experiência deste ano mostra como políticas articuladas podem fazer diferença quando chegam aos territórios. Em ações no Bico do Papagaio, a Defensoria Pública e instituições parceiras realizaram 990 atendimentos, incluindo serviços de saúde e a emissão de Cadastros da Agricultura Familiar, que permitem às famílias acessar programas públicos e linhas de crédito. Esse atendimento é um passo importante, mas precisa ter continuidade para alcançar mais mulheres e responder às necessidades apontadas por elas.
Valorizar o ofício também significa fortalecer a autonomia econômica das quebradeiras, apoiar a organização comunitária e ampliar as oportunidades de comercialização dos produtos do babaçu. Em junho deste ano, o trabalho das quebradeiras dos estados do Tocantins, Maranhão, Piauí e Pará foi reconhecido como manifestação da cultura nacional. A conquista representa reconhecimento simbólico e abre espaço para políticas de proteção e valorização dessa tradição. Seu alcance, porém, depende de ações concretas para que a cultura seja respeitada e o trabalho gere renda e condições dignas.
Neste dia, a Gazeta do Cerrado homenageia todas as quebradeiras de coco babaçu do Tocantins. Mulheres que protegem as palmeiras, sustentam suas famílias e preservam conhecimentos essenciais para a vida nos territórios. E presta homenagem especial a Dona Raimunda Quebradeira de Coco, cuja voz ajudou a organizar uma luta coletiva por liberdade, respeito e direitos. Sua trajetória segue inspirando as quebradeiras na busca por dignidade e mantém viva a certeza de que a luta por um babaçu livre também é uma luta pelo futuro.