Maju Cotrim
Maju Cotrim

Maju Cotrim

Há um ruído crescente na política tocantinense — e ele não vem das ruas. Vem das telas.

A pré-campanha no Tocantins parece, cada vez mais, aprisionada em uma lógica que privilegia o embate digital, a frase de efeito e o posicionamento rápido, mas raso. Discursos que ecoam bem nos algoritmos, mas que encontram pouco ou nenhum lastro na vida concreta de quem está fora dessas bolhas. Enquanto isso, o Tocantins real — aquele das comunidades, dos bairros, dos pequenos municípios — segue esperando.

E esperando o quê? Propostas. Presença. Escuta.

A Gazeta do Cerrado tem acompanhado de perto os eventos políticos, os encontros, os bastidores e os palanques. E o que se vê, com frequência preocupante, é uma repetição de falas genéricas, críticas sem densidade e disputas que pouco dialogam com os desafios reais do Estado. Há ataques sem fundamento, posicionamentos que não se sustentam na mínima análise e uma superficialidade que empobrece o debate público.

É como se a política tivesse se tornado refém de si mesma — ou pior, refém da performance.

Enquanto isso, nas bases, a pergunta é outra. É simples, direta e incômoda: qual é o projeto para o Tocantins?

Não se trata apenas de quem lidera pesquisas internas, quem tem mais apoios ou quem articula melhor nos bastidores. A política não se resolve apenas na soma de prefeitos, lideranças ou estruturas partidárias. Ela se legitima na capacidade de traduzir um projeto de futuro que faça sentido para quem vive o presente.

É fato que a pré-candidatura da Professora Dorinha se destaca pela robustez política, com apoio expressivo de prefeitos e lideranças em diversas regiões. É, sem dúvida, uma construção sólida no campo institucional. Do outro lado, grupos de oposição buscam se reorganizar, disputando espaço, narrativa e capital político, sobretudo mirando a força da capital.

Mas há um ponto comum que atravessa todos os campos: a distância entre a estratégia e a realidade.

A eleição de 2026 no Tocantins não será decidida apenas por quem comunica melhor — será decidida por quem conecta melhor. E conexão, neste caso, não é sinônimo de engajamento digital. É presença física, escuta ativa, construção coletiva.

O Estado precisa de um choque de realidade nas pré-campanhas. Um deslocamento urgente das bolhas para as bases. Um reencontro com o povo que não está nos eventos fechados, nem nos grupos políticos, nem nas timelines cuidadosamente editadas.

A política que vence é a que compreende o território. Que entende as dores regionais, que propõe soluções viáveis, que se apresenta com clareza. Que não subestima o eleitor com frases prontas, mas o respeita com conteúdo, com verdade, com direção.

O Tocantins não precisa de mais barulho. Precisa de rumo.

E esse rumo passa, inevitavelmente, por uma pergunta que ainda ecoa sem resposta suficiente: quais projetos de Tocantins chegarão, de fato, até as bases?

Enquanto essa resposta não vier com consistência, tudo o que se vê é movimento — mas não necessariamente avanço.

A pré-campanha precisa sair do rascunho. E entrar, de vez, na vida real.