
A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (15), duas operações simultâneas em conjunto com a Controladoria-Geral da União para apurar suspeitas de corrupção, desvio de recursos públicos e fraudes em contratos envolvendo organizações sociais em Goiás e outros estados, incluindo o Tocantins.
As ações, denominadas Operação Makot Mitzrayim e Operação Rio Vermelho, somam o cumprimento de 50 mandados judiciais, entre buscas, apreensões e prisões preventivas, nos estados de Goiás, Tocantins, Maranhão, além do Distrito Federal e São Paulo.
No Tocantins, equipes da Polícia Federal atuam no cumprimento de mandados ligados à Operação Makot Mitzrayim, que investiga o desvio de verbas públicas por meio de contratos firmados por duas organizações sociais que atuaram em Goiás.
Segundo as apurações, essas entidades utilizavam práticas como “quarteirização” e “quinteirização” de serviços, quando empresas terceirizadas subcontratam outras, para inflar custos e facilitar o desvio de dinheiro público.
Ainda conforme a Polícia Federal, contratos eram firmados com valores superfaturados, permitindo o desvio de recursos. Parte do dinheiro, de acordo com os investigadores, teria beneficiado dirigentes das organizações e servido para o pagamento de propina a servidores responsáveis pela fiscalização.
Já a Operação Rio Vermelho apura possíveis irregularidades na aplicação de recursos destinados ao combate à pandemia de COVID-19. O foco está na gestão de um hospital de campanha administrado por uma organização social.
As investigações tiveram início a partir de auditorias da CGU e indicam que a estrutura da entidade pode ter sido usada para gerar lucros indevidos por meio de contratações com recursos públicos. Há indícios de direcionamento em processos seletivos, além de simulação de concorrência.
Os investigadores também apontam possíveis vínculos entre dirigentes da organização social e empresas contratadas, o que pode indicar favorecimento. Outro ponto levantado é a existência de contratos voltados à maximização de lucros, com possível precarização das relações de trabalho.
As buscas da Operação Rio Vermelho ocorrem em Goiânia, Brasília e São José do Rio Preto, enquanto a outra operação também se estende ao Tocantins e Maranhão.
Os investigados poderão responder por crimes como corrupção ativa e passiva, peculato-desvio, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações.