
As alterações realizadas durante as obras de duplicação da Ponte Governador José Wilson Siqueira Campos, que liga Palmas ao distrito de Luzimangues, passaram a ser alvo de investigação do Ministério Público do Tocantins (MPTO). O foco da apuração é verificar se a retirada da mureta de concreto e a instalação de uma estrutura metálica podem ter comprometido a segurança da ponte ou provocado impactos estruturais não previstos no projeto original.
O inquérito civil foi instaurado pela 23ª Promotoria de Justiça da Capital após o recebimento de uma representação apresentada por Valgne Pereira de Souza. A portaria que oficializa a investigação foi publicada na última sexta-feira, 10.
A principal preocupação do MP é esclarecer se as modificações feitas durante a execução da obra aumentaram a carga sobre a estrutura sem respaldo técnico. Para isso, a Agência de Transportes, Obras e Infraestrutura (Ageto), responsável pela intervenção, deverá encaminhar uma série de documentos, incluindo o projeto executivo, estudos de viabilidade, laudos de segurança estrutural e informações técnicas que embasaram a substituição da mureta de concreto pela estrutura metálica.
Além da requisição de documentos, o Ministério Público determinou que a Assessoria Técnica de Engenharia da instituição realize uma vistoria na ponte. O objetivo é avaliar as condições atuais da estrutura e verificar os reflexos das intervenções executadas, especialmente em relação ao alargamento da pista e à substituição dos dispositivos de proteção laterais.
O Centro de Apoio Operacional do Urbanismo, Habitação e Meio Ambiente (Caoma) também deverá auxiliar a Promotoria durante a investigação.
A obra de duplicação da ponte integra um dos principais projetos de mobilidade da região metropolitana de Palmas. A intervenção busca ampliar a capacidade de tráfego na TO-080, principal ligação entre a Capital e Luzimangues, e conta com investimento estimado em cerca de R$ 98 milhões, financiado por operação de crédito destinada a obras de infraestrutura viária.
Na portaria, o MP destaca que a ponte possui importância estratégica para a mobilidade urbana e para a integração regional, razão pela qual as intervenções estruturais precisam ser acompanhadas para garantir a segurança dos milhares de motoristas que utilizam o trecho diariamente.
A investigação não significa que tenham sido constatadas irregularidades, mas busca verificar se as alterações foram executadas em conformidade com os projetos e normas técnicas.
O outro lado
NOTA – AGETO
A Agência de Transportes, Obras e Infraestrutura (Ageto) esclarece que as intervenções realizadas na Ponte Governador José Wilson Siqueira Campos seguem os projetos executivos, estudos técnicos, memoriais descritivos e demais documentos de engenharia, elaborados para garantir a qualidade, a segurança e a eficiência dos serviços executados.
Todos os projetos e a execução da obra possuem as respectivas Anotações de Responsabilidade Técnica (ART), em conformidade com as normas do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea).
A Agência informa que a estrutura instalada na ponte corresponde ao novo guarda-roda, dispositivo de segurança previsto no projeto e dimensionado para a proteção dos usuários da via.
As estruturas metálicas observadas durante a execução da obra fazem parte da armadura interna do elemento de concreto armado, uma etapa do processo construtivo, e não representam a estrutura final de proteção. Dessa forma, o guarda-roda da ponte não foi substituído por uma grade metálica.
As imagens divulgadas retratam uma fase intermediária da execução dos serviços e não a configuração definitiva da estrutura prevista no projeto.
A Ageto reafirma seu compromisso com a transparência, a qualidade técnica e a segurança da obra. A duplicação e o alargamento da Ponte Governador José Wilson Siqueira Campos seguem em andamento com o objetivo de ampliar a capacidade de tráfego entre Palmas e o Distrito de Luzimangues, proporcionando mais segurança, mobilidade e desenvolvimento para a região.