
A suspensão da travessia por balsa entre Araguacema, no Tocantins, e Santa Maria das Barreiras, no Pará, começou como uma questão burocrática, mas já produz reflexos diretos na rotina de quem depende da ligação entre os dois estados. Produtores rurais, caminhoneiros, comerciantes e moradores enfrentam dificuldades desde que o serviço foi interrompido após uma decisão da Justiça Federal.
A travessia é considerada uma das principais rotas da região para o transporte de cargas, deslocamento de trabalhadores e circulação de turistas. Sem a balsa, usuários passaram a buscar caminhos alternativos mais longos e custosos.
Segundo informações, a empresa PIPES Empreendimentos, responsável pela operação, comunicou oficialmente à Prefeitura de Araguacema, ainda em maio, que precisaria interromper as atividades. A justificativa apresentada foi a impossibilidade de cumprir, dentro do prazo estabelecido pela Justiça, todas as exigências necessárias para regularizar a área de embarque e desembarque utilizada às margens do Rio Araguaia.
Segundo a empresa, a decisão da 2ª Vara Federal da Seção Judiciária do Tocantins determinou que a utilização das áreas pertencentes à União só poderia continuar mediante autorização da Secretaria de Patrimônio da União (SPU). Embora a sentença não tenha ordenado o fechamento imediato da travessia, a concessionária argumenta que o prazo concedido para regularização é insuficiente diante dos trâmites administrativos exigidos.
Diante do impasse, a Prefeitura de Araguacema passou a buscar apoio de outros órgãos para tentar reverter a situação. Em ofício encaminhado ao presidente da Agência Tocantinense de Regulação (ATR), Tom Lyra, o prefeito Marcus Vinicius Moraes Martins, o Marquinhos, destacou que a interrupção afeta diretamente moradores, trabalhadores, turistas e transportadores que utilizam a rota diariamente.
O município também alertou para os impactos econômicos causados pela paralisação, especialmente em uma região que depende do fluxo constante de pessoas e mercadorias entre Tocantins e Pará.
Presidente da ATR defende retomada
Ao comentar o caso, o presidente da ATR, Tom Lyra, afirmou que a interrupção não está relacionada à segurança da embarcação nem às condições de navegação no Rio Araguaia. Segundo ele, a discussão envolve exclusivamente a regularização fundiária da área utilizada para acesso à balsa e questões administrativas ligadas à autorização da SPU.
Para o dirigente, a manutenção da paralisação traz prejuízos para diversos setores da economia regional, principalmente para o agronegócio, o comércio e o transporte de cargas.
Tom Lyra defende a construção de uma solução provisória que permita a retomada da travessia enquanto o processo de regularização segue seu curso nos órgãos competentes. A avaliação é que o serviço possui papel estratégico para a integração entre os dois estados e para a movimentação econômica da região.
Enquanto não há definição, moradores e usuários da rota continuam convivendo com os transtornos provocados pela suspensão de uma ligação considerada essencial para o norte do país.