
Maju Cotrim
Em tempos em que a política muitas vezes se resume a agendas protocolares e presenças estratégicas em eventos, a iniciativa do senador Eduardo Gomes chama atenção pelo que deveria ser regra, mas ainda é exceção: o posicionamento claro.
Ao sair em defesa dos vereadores após a proposta polêmica do deputado federal do Amazonas Amom Mandel (Cidadania-AM), que afirmou que protocolará uma PEC para transformar vereadores de câmaras municipais de cidades com até 30 mil habitantes em conselheiros, sem salário fixo e que gerou forte repercussão negativa em todo o país, o senador não apenas ocupou espaço no debate público. Ele deu sentido ao mandato. E mais: mostrou compreensão prática do papel dos vereadores, aqueles que estão na linha de frente, nos pequenos municípios, sendo o primeiro ponto de escuta da população e, muitas vezes, o verdadeiro “para-choque” das demandas sociais.
A fala de Eduardo Gomes carrega legitimidade. Não é discurso vazio. Ele conhece esse chão. Foi vereador. Sabe o que significa lidar diretamente com a pressão popular, com as urgências do dia a dia e com a responsabilidade de ser o elo mais próximo entre o cidadão e o poder público. Ao resgatar nomes como Siqueira Campos e Juscelino Kubitschek, ambos com origem nas câmaras municipais, ele reforça uma verdade histórica: grandes lideranças nascem da base, e não dos palanques prontos. Ele que faz questão de usar o crachá de vereador nos eventos que vai da categoria.
Há, nesse gesto, uma mensagem que vai além da defesa corporativa. Trata-se de reconhecer que política não se faz apenas com presença física, mas com posicionamento. Não basta circular em eventos, sorrir para fotos e acumular agendas. O mandato exige voz. E voz, na política, é instrumento de defesa, de construção e de respeito.
Os vereadores, sobretudo nos pequenos municípios, enfrentam desafios estruturais, limitações orçamentárias e, ainda assim, são cobrados como se tivessem todas as respostas. São eles que ouvem primeiro, que absorvem as críticas, que lidam com as demandas mais imediatas da população. Ignorar essa realidade é desconhecer o funcionamento da própria democracia.
Ao se posicionar, Eduardo Gomes não apenas respondeu a um episódio específico. Ele reafirmou um princípio: quem ocupa mandato precisa saber para quem fala e, principalmente, por quem fala.
Num cenário pré-eleitoral em que muitos ainda optam pelo silêncio estratégico, a atitude do senador sinaliza maturidade política. E deixa um recado claro: mais do que aparecer, é preciso se comprometer.
Porque, no fim das contas, a política que transforma não é a que apenas marca presença, é a que toma posição.