Autismo, pesquisa e cerrado: mestranda da UFNT defende dissertação sobre o pequi

A defesa de uma dissertação sobre o pequi, fruto símbolo do cerrado, marcou não só a conclusão de um mestrado, mas também uma trajetória de inclusão na pós-graduação da Universidade Federal do Norte do Tocantins. A autora do trabalho é a mestranda Thamires Marques Ferraz Saraiva, que apresentou sua pesquisa no fim de março pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura e Território (PPGCULT).

Diagnosticada com autismo nível 1 de suporte, Thamires construiu sua caminhada acadêmica entre diferentes áreas: é formada em Nutrição e também em Geografia. No mestrado, decidiu investigar o pequi não apenas como alimento, mas como elemento cultural presente no cotidiano da região.

A escolha do tema tem relação direta com a própria vivência. Segundo a pesquisadora, o fruto faz parte de sua história, desde a coleta até momentos em família, o que motivou o aprofundamento do estudo sob aspectos biológicos, nutricionais e culturais.

Ao longo do curso, o principal desafio foi acompanhar o ritmo exigido pela produção acadêmica. A estudante relata que precisa de mais tempo para transformar teoria em prática, mas encontrou no programa abertura para respeitar esse processo. O acompanhamento próximo da coordenação e do orientador foi apontado como decisivo para a conclusão da pesquisa.

Para o professor Yonier Alexander Orozco Marin, a experiência também trouxe aprendizados dentro e fora da sala de aula. Ele destaca que o trabalho foi construído com diálogo e escuta, reforçando o compromisso do programa com práticas inclusivas.

A trajetória foi acompanhada de perto pela família. A mãe da mestranda, Suelí Marques Ferraz, avalia que o acolhimento institucional fez diferença para que a filha superasse os desafios e chegasse à defesa.

Brener Nunes

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins