
A cirurgiã-dentista e pré-candidata a deputada estadual Dra. Ângela defendeu publicamente a retificação do edital do concurso da Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins para incluir vagas para cirurgiões-dentistas. Em carta aberta dirigida ao governador, ela afirma que a exclusão da odontologia de nível superior do certame compromete a integralidade da assistência e sinaliza desvalorização de uma área essencial da saúde pública.
Concurso sem dentistas
Publicado no Diário Oficial de 29 de julho, o Edital nº 001/2026 – SECAD/SES/TO prevê 5.124 vagas para o quadro de cargos da Saúde estadual. Apesar da amplitude do concurso, não há nenhuma vaga para o cargo de cirurgião-dentista, embora o edital contemple vagas para Técnico em Saúde Bucal em cidades como Palmas, Araguaína, Paraíso, Augustinópolis e Guaraí.
Na avaliação de Dra. Ângela, a ausência do cirurgião-dentista não pode ser tratada como um detalhe administrativo. “A odontologia é área da saúde. Saúde bucal não é detalhe, não é luxo, não é algo que pode ficar para depois. Saúde bucal é prevenção, é tratamento, é alimentação, é fala, é dignidade, é qualidade de vida”, afirma a pré-candidata.
Ela também faz questão de diferenciar as funções previstas no edital. Segundo a carta, o papel do Técnico em Saúde Bucal é importante e deve ser valorizado, mas não substitui a atuação do cirurgião-dentista, profissional de nível superior responsável pelo diagnóstico, pelo planejamento terapêutico, pela execução clínica dos procedimentos e pela responsabilidade técnica do cuidado odontológico.
Coordenação estadual
A defesa da retificação é sustentada por dados e diretrizes oficiais. A Pesquisa Nacional de Saúde Bucal, coordenada pelo Ministério da Saúde, foi estruturada justamente para subsidiar políticas públicas voltadas às principais doenças e agravos da área, reforçando a centralidade da saúde bucal no cuidado integral. Além disso, o Ministério da Saúde informa que a Política Nacional de Saúde Bucal, no âmbito do Brasil Sorridente, tem como objetivo reorganizar a prática e qualificar ações e serviços oferecidos à população.
Dra. Ângela também argumenta que o problema não está apenas na falta de vagas, mas na ausência de uma estrutura estadual específica para conduzir essa política. Em sua manifestação, ela pede a criação da Coordenação Estadual de Saúde Bucal, com autonomia técnica para planejar ações, apoiar municípios, monitorar indicadores e organizar a rede de atenção em todo o Tocantins.
O pedido se apoia em outro dado oficial apresentado pela Coordenação-Geral de Saúde Bucal do Ministério da Saúde: o Tocantins contava, em 2025, com 506 equipes de saúde bucal credenciadas para um teto de 620 equipes. Para Dra. Ângela, esse cenário demonstra que já existe rede instalada e que falta ao Estado fortalecer a governança e a condução estratégica da política pública.
Crianças e idosos
Na carta aberta, a pré-candidata afirma que a coordenação estadual deve liderar “projetos reais e permanentes” para públicos prioritários. Entre as propostas citadas estão programas de saúde bucal nas escolas, com avaliação periódica, escovação supervisionada, educação em saúde, aplicação tópica de flúor e encaminhamento para tratamento, em sintonia com experiências brasileiras e diretrizes do Ministério da Saúde para prevenção na infância.
Para a população idosa, a defesa é pela organização de linhas de reabilitação oral com acesso a próteses dentárias, atendimento continuado e cuidado específico para pessoas em instituições de longa permanência. Na leitura de Dra. Ângela, isso significa devolver mastigação, fala, autoestima e qualidade de vida a uma população frequentemente esquecida quando se fala em política odontológica.
Odontologia hospitalar
Outro eixo central da manifestação é a defesa da odontologia hospitalar. Dra. Ângela sustenta que o Tocantins precisa de cirurgiões-dentistas em todos os hospitais regionais estaduais e afirma que a presença desses profissionais é “necessária e essencial” no cuidado aos pacientes internados.
O argumento encontra respaldo institucional. O Ministério da Saúde instituiu grupo de trabalho para propor ações e estratégias sobre a Odontologia Hospitalar no âmbito do SUS. Já o Conselho Federal de Odontologia reconhece o exercício da Odontologia Hospitalar pelo cirurgião-dentista e, mais recentemente, reconheceu a área como especialidade odontológica, consolidando sua importância assistencial e técnica no ambiente hospitalar.
Ao justificar o pedido, Dra. Ângela afirma que a odontologia hospitalar não deve ser vista como acessória, mas como parte do cuidado multiprofissional. Segundo ela, garantir dentistas nos hospitais regionais significa prevenir complicações, melhorar a recuperação dos pacientes internados e ampliar o olhar sobre a saúde integral.
Apelo ao governo
A pré-candidata também relaciona a discussão à realidade de desenvolvimento do estado. O Tocantins já ultrapassou a marca de 139 mil pequenos negócios ativos, dado que, para ela, mostra um estado em crescimento e que precisa investir em políticas públicas capazes de acompanhar essa dinâmica social e econômica com serviços de saúde mais completos.
No trecho final da carta, Dra. Ângela faz um apelo direto ao governo estadual. “Eu peço, com respeito e firmeza, que o Governo do Tocantins retifique esse edital e crie a Coordenação Estadual de Saúde Bucal. Isso é cuidar do que importa. Isso é fazer o que precisa ser feito”, declara.
A manifestação também ecoa posicionamentos anteriores de entidades da odontologia. O Conselho Regional de Odontologia do Tocantins já havia reagido à exclusão de vagas para cirurgiões-dentistas do concurso estadual e cobrado providências do poder público, mostrando que a preocupação com a ausência da categoria no certame não é isolada.
Com a carta aberta, Dra. Ângela transforma a discussão em pauta política e institucional. Para ela, retificar o edital, criar a Coordenação Estadual de Saúde Bucal e garantir dentistas nos hospitais regionais estaduais são medidas que apontam para um mesmo objetivo: reconhecer a odontologia como parte indissociável da saúde pública no Tocantins.