Cesta básica em Palmas – Foto: Lia Mara
Cesta básica em Palmas – Foto: Lia Mara

O preço da cesta básica voltou a cair em Palmas e trouxe novo alívio ao orçamento das famílias. Levantamento do Núcleo Aplicado de Estudos e Pesquisas Econômico-Sociais (NAEPE) mostra que, em julho, o conjunto de alimentos essenciais ficou 4,30% mais barato. É a segunda redução consecutiva, após a queda de 5,17% registrada em junho, acumulando recuo de 9,47% nos últimos dois meses.

Com a redução, o valor da cesta passou de R$ 743,67 para R$ 711,72. O preço também ficou 1,32% abaixo do registrado em julho do ano passado, quando produtos como café e açúcar pressionavam os custos da alimentação.

O recuo dos preços refletiu diretamente no poder de compra da população. Em julho, o salário mínimo necessário para atender às despesas básicas de uma família em Palmas foi estimado em R$ 5.979,17, voltando a ficar abaixo da marca de R$ 6 mil.

Outro indicador que apresentou melhora foi o tempo de trabalho exigido para adquirir uma cesta básica. A jornada média caiu de 100 horas e 54 minutos, em junho, para 96 horas e 36 minutos em julho.

Segundo o diretor-geral do NAEPE e professor de Economia do IFTO, Autenir de Rezende, a redução representa um ganho imediato para as famílias de menor renda.

“Esse recuo no tempo de trabalho necessário para comprar os alimentos demonstra um alívio real e imediato, devolvendo um pouco do fôlego financeiro para as famílias de menor renda.”

O que influenciou os preços

O tomate foi o principal responsável pela queda da cesta básica, com redução de 32% em julho. Também contribuíram para o recuo os preços do feijão (-4%) e do arroz (-2,4%).

Na contramão, alguns produtos ficaram mais caros no período. As maiores altas foram registradas no leite integral (+6,2%), margarina (+4,9%) e pão francês (+1,8%).

Cenário exige cautela

De acordo com o NAEPE, a queda confirma a tendência de estabilização dos preços dos alimentos após meses de alta. Apesar do cenário favorável, o economista alerta que fatores externos ainda podem pressionar os custos nos próximos meses.

Entre os riscos estão eventos climáticos e os conflitos no Oriente Médio, que podem elevar os preços internacionais dos combustíveis e, consequentemente, aumentar o custo do transporte de mercadorias.

“Qualquer sobressalto no valor dos combustíveis no mercado internacional afeta diretamente o frete rodoviário aqui no Brasil. Esse custo extra fatalmente é repassado ao consumidor final, o que tem potencial para reverter a trajetória de queda que o setor alimentício vem apresentando”, afirma Autenir de Rezende.

A Pesquisa da Cesta Básica é realizada mensalmente pelo NAEPE, que acompanha a variação dos preços dos principais alimentos consumidos pelas famílias de Palmas.