Sabrina da Silva Feitosa durante enterro do filho Gustavo - Foto: Arquivo pessoal/Cirlene Feitosa
Sabrina da Silva Feitosa durante enterro do filho Gustavo - Foto: Arquivo pessoal/Cirlene Feitosa

A dor de Sabrina da Silva Feitosa, mãe de Gustavo Feitosa, de 3 anos, transformou-se em uma das imagens mais compartilhadas nas redes sociais desde que o caso ganhou repercussão nacional. No registro feito durante o sepultamento, ela aparece abraçada ao pequeno caixão branco do filho, cena que sintetiza a comoção provocada pela morte da criança em Palmas.

Gustavo foi encontrado morto na casa do pai, o advogado Igor Gustavo Veloso de Souza. Ele e a companheira, Kathellen Moreira, estão presos preventivamente e são investigados pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e tortura. A Polícia Civil apura as circunstâncias da morte e não descarta novas alterações na tipificação penal à medida que os exames periciais forem concluídos.

Enquanto o caso avança na investigação, vieram à tona relatos feitos pela mãe antes da morte do menino. Em entrevistas, Sabrina afirmou que o filho voltava das visitas ao pai com hematomas e que chegou a questioná-lo sobre as lesões.

“Mostrei as fotos e ele falava que o menino tinha caído. Ele tinha todo um argumento dele. Mandei o vídeo para ele, falando que não era certo, porque o meu filho estava daquele jeito. Não é certo. Toda vez que ele vê ou escuta a voz, ele fica com medo e agora ele está falando que ele bate nele. Ele falou: ‘De novo essa história'”, relatou.

Um vídeo gravado dias antes da morte também passou a circular nas redes sociais. Nas imagens, Gustavo chora e se recusa a ir para a casa do pai, reforçando o impacto emocional do caso.

Gustavo Veloso Feitosa

Apesar das preocupações, os advogados de Sabrina explicaram que ela não podia impedir judicialmente a convivência entre pai e filho sem correr o risco de ser acusada de alienação parental. Paralelamente, ela movia uma ação cobrando o pagamento de pensão alimentícia.

Em meio ao luto, a mãe afirmou que não encontra explicação para o que aconteceu.

“Meu filho sofreu muito. Não tem motivo, não tem pensão, não tem ódio. Não justifica se ele tem raiva de mim porque eu processei, se ele está devendo muito em pensão. Não justifica o que ele fez. Não justifica.”

A investigação começou após Igor procurar a Polícia Civil alegando que o menino havia se afogado na piscina da residência. No entanto, os exames do Instituto Médico Legal descartaram a hipótese de afogamento e apontaram múltiplas lesões provocadas por agressões.

Em entrevista coletiva, o delegado Eduardo Menezes informou que as graves lesões na região anal e intestinal ocorreram em um contexto de violência extrema e foram utilizadas como instrumento de tortura. Segundo ele, a hipótese de violência sexual ainda não foi totalmente descartada e dependerá dos resultados dos exames complementares.

Após a decretação da prisão preventiva, na madrugada desta quinta-feira, 6, Igor foi encaminhado para o sistema prisional masculino, enquanto Kathellen foi levada para a unidade prisional feminina.

Brener Nunes

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins