Lona “derrete” dentro de freezer deixado ao sol e cena chama atenção em Palmas; VÍDEO

O calor de Palmas ganhou uma demonstração curiosa e bastante visual nas redes sociais. Um vídeo gravado na capital mostra uma lona azul parcialmente derretida dentro de um freezer horizontal desligado e exposto diretamente ao sol.

Nas imagens, um trabalhador abre o equipamento e começa a retirar o material. Ao puxar a lona, mostra pontos deformados e derretidos, situação que rapidamente chamou a atenção de quem assistiu à gravação.

A cena ocorre em meio a um período de temperaturas elevadas no Tocantins, com Palmas enfrentando dias próximos dos 40 °C nas últimas semanas. Mas, apesar da impressão provocada pelo vídeo, apenas a temperatura do ar não seria suficiente para produzir o efeito observado.

Freezer desligado virou uma espécie de “estufa”

A explicação está justamente no lugar onde a lona foi deixada. Segundo o professor de química Fábio Esmeraldino, um freezer fechado e exposto ao sol pode acumular muito mais calor internamente do que o registrado no ambiente externo.

Projetado para reduzir as trocas de temperatura com o ambiente, o isolamento do equipamento ajuda a conservar o frio quando ele está funcionando. Desligado e sob forte incidência solar, porém, o mesmo espaço fechado pode favorecer a concentração de calor.

“O vídeo mostra a lona dentro de um freezer horizontal exposto ao sol. Com a temperatura ambiente batendo os 40 °C, a sensação térmica pode ser um pouco maior. Como o material está confinado dentro do freezer, a temperatura interna pode chegar a quase 50 °C. É esse calor concentrado que provoca o derretimento do plástico”, explicou Esmeraldino.

Ou seja: não significa que o calor de Palmas, sozinho, esteja chegando ao ponto de derreter lonas deixadas do lado de fora.

Ao ar livre, efeito não seria o mesmo

O professor ressalta que a combinação entre exposição ao sol e confinamento dentro do equipamento é determinante para entender o vídeo.

“Fora do freezer não ocorreria, pois a temperatura ambiente sozinha, mesmo nos dias mais quentes de Palmas, não é suficiente para atingir o ponto de fusão do material e fazer o derretimento”, explicou.

A cena, portanto, não mostra apenas os efeitos dos dias quentes registrados na capital, mas como um ambiente fechado e exposto continuamente à radiação solar pode alcançar temperaturas bem superiores às verificadas do lado de fora.

Brener Nunes

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins