Transporte coletivo de Palmas - Foto Júnior Suzuki
Transporte coletivo de Palmas - Foto Júnior Suzuki

Os motoristas do transporte coletivo de Palmas decidiram suspender a greve até 11 de novembro para dar continuidade às negociações com a empresa responsável pelo serviço. A interrupção temporária do movimento foi definida nesta quarta-feira (4), durante uma audiência de conciliação na Justiça do Trabalho.

A paralisação havia começado às 4h de terça-feira (3). Segundo o sindicato da categoria, os trabalhadores aceitaram a proposta do juiz responsável pela mediação, que sugeriu uma pausa no movimento para que as partes tentem construir um Acordo Coletivo de Trabalho.

O presidente da entidade, José Antônio de Carvalho, ressaltou que a decisão representa uma suspensão temporária, e não o encerramento da greve. Caso as negociações avancem, a proposta será apresentada aos trabalhadores em assembleia, para aprovação ou rejeição.

De acordo com a Prefeitura de Palmas, a audiência durou seis horas e reuniu representantes do sindicato, da concessionária Santa Cecília Turismo Ltda. (Sancetur) e da administração municipal. A negociação foi intermediada pelo Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10).

Durante o período de suspensão, empresa e trabalhadores deverão avaliar alternativas para chegar a um entendimento sobre as demandas da categoria.

Paralisação provocou lotação e atrasos

O sistema de transporte coletivo da capital atende aproximadamente 60 mil passageiros por dia. No primeiro dia da greve, usuários enfrentaram terminais lotados e atrasos de até 40 minutos nas linhas. Entre os locais afetados estava a Estação Xerente, na região sul de Palmas.

Na noite de terça-feira e na manhã de quarta-feira, houve aumento na quantidade de ônibus em circulação, embora ainda tenham sido registrados atrasos.

A Prefeitura afirmou que o sindicato descumpriu a liminar que estabelecia uma operação mínima durante a paralisação. A decisão do TRT-10 determinava a manutenção de 80% da frota e dos motoristas nos horários de pico, das 5h30 às 8h30 e das 17h às 20h, e de 70% nos demais períodos. Em caso de descumprimento, foi prevista multa diária de R$ 30 mil.

O que os trabalhadores reivindicam

A greve foi aprovada em assembleia no dia 23 de outubro. Entre as principais cobranças está a aplicação do piso salarial previsto na Convenção Coletiva de Trabalho de 2026.

A categoria também reivindica a instalação de banheiros e bebedouros nas estações e nos pontos finais, o fim de descontos considerados indevidos nos salários e no vale-alimentação, além do cumprimento da jornada de trabalho e dos intervalos legais de descanso.

Segundo o sindicato, as negociações com a Sancetur eram mediadas pelo Ministério Público do Trabalho desde junho, mas a empresa não havia apresentado contraproposta até o início do movimento.

A Prefeitura sustenta que as reivindicações dizem respeito à relação de emprego entre a concessionária e os trabalhadores. A gestão municipal informou que recorreu à Justiça para assegurar a continuidade do transporte e o deslocamento dos passageiros.

Nota da Prefeitura de Palmas na íntegra

A Prefeitura de Palmas informa que, após audiência realizada nesta quarta-feira, 4, pelo Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10), o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Estado do Tocantins (Simtromet) e a empresa Sancetur firmaram um acordo para suspender a greve até o dia 11 de novembro, quando será realizada uma nova audiência.

No período, serão avaliadas as propostas apresentadas pelas partes e discutida a possibilidade de formalização de um Acordo Coletivo de Trabalho.

A audiência desta quarta, 4, teve duração de seis horas e contou com a participação de representantes do Município, entre eles o secretário de Mobilidade e Transporte Público, Walace Pimentel, e o procurador-geral, Renato de Oliveira.

A Prefeitura reforça ainda que compreende as reivindicações dos trabalhadores, mas tem o compromisso de garantir a continuidade dos serviços de transporte coletivo e o atendimento à população. Neste sentido, acompanha as negociações para uma solução definitiva.