Parcerias com o SENAI ampliam qualificação profissional e abrem caminhos para trabalhadores no Tocantins

Da sala de aula para a coordenação de equipes de campo. Da Aprendizagem Industrial para a atuação profissional na área de Segurança do Trabalho. As trajetórias de Lázaro Pinto e Juliana Dias mostram, na prática, como a qualificação profissional pode abrir caminhos e acompanhar diferentes momentos de uma carreira.

As duas histórias têm um ponto em comum: a formação pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) do Tocantins. Elas também refletem parcerias mantidas pela instituição com empresas como Energisa Tocantins e Aura, que apostam na educação profissional para desenvolver trabalhadores e preparar mão de obra para as necessidades atuais e futuras de suas operações.

Na Energisa Tocantins, mais de 130 colaboradores e dependentes são atualmente bolsistas em diferentes cursos junto ao SENAI. Entre as formações estão os cursos técnicos em Eletrotécnica, Mecatrônica e Segurança do Trabalho, áreas diretamente relacionadas às demandas do setor elétrico.

Segundo a analista de Recursos Humanos da Energisa Tocantins, Rhayane Florentino, a parceria surgiu de uma necessidade concreta de contar com profissionais preparados para um setor marcado pela exigência de conhecimento técnico, segurança e atualização constante. “Ao longo do tempo, essa relação foi se fortalecendo e passou a representar mais do que uma formação técnica. Para nós, é também uma forma de investir nas pessoas e ampliar suas possibilidades de desenvolvimento dentro da empresa”, explica.

A escolha das áreas de formação considera tanto as necessidades atuais quanto os desafios futuros da operação. Para Rhayane, o investimento também representa uma maneira de antecipar competências e criar condições para o crescimento profissional dos colaboradores.

“Não queremos olhar apenas para a vaga que precisamos preencher hoje. Queremos antecipar competências, preparar pessoas e criar oportunidades de crescimento. Quando a empresa oferece uma oportunidade de formação, ela não está apenas preparando alguém para executar melhor uma função; está dizendo para essa pessoa que o seu desenvolvimento importa”, afirma.

Do primeiro curso à liderança de equipes

A trajetória de Lázaro Pinto ajuda a traduzir esse investimento em desenvolvimento profissional. Seu primeiro contato com a área aconteceu justamente no SENAI, quando realizou um curso de Comandos Elétricos. “Comecei com um curso de comandos elétricos para entender sobre motores e me apaixonei pela área. Quando soube que seria aberta a primeira turma de Técnico em Eletrotécnica, me inscrevi na hora. Foram dois anos intensos de teoria e prática que realmente abriram a minha mente”, relembra.

A formação técnica se tornou a base para a trajetória que Lázaro construiria no setor elétrico. Na Energisa, passou pelas funções de técnico de redes e linhas e supervisor até chegar à coordenação de equipes de campo em Palmas.

Conhecimentos como leitura e interpretação de diagramas, comandos elétricos, funcionamento de motores e normas de segurança passaram a fazer parte da sua rotina. Mas foi ao deixar a função técnica para assumir a supervisão de equipes que ele percebeu uma mudança importante na carreira. “Ali eu percebi que não era mais avaliado só pela minha habilidade técnica, mas pela minha capacidade de liderar, ensinar e garantir a segurança do time. Foi quando entendi que a qualificação do SENAI tinha me dado algo a mais: além de executar, eu estava preparado para coordenar, orientar e formar outras pessoas. Foi a virada de chave na minha carreira”, conta.

Para a Energisa, esse desenvolvimento também se reflete na operação. Rhayane aponta impactos no domínio dos processos, na segurança para a tomada de decisões e na compreensão dos riscos, além de ganhos relacionados à produtividade e à qualidade.

A qualificação ganha ainda mais relevância diante das transformações do setor elétrico. Segundo a analista, capacidade de aprendizagem contínua, adaptação, pensamento analítico, domínio de novas tecnologias, colaboração e visão de segurança estarão cada vez mais presentes no perfil dos profissionais. “O profissional do futuro não será necessariamente aquele que já sabe tudo, mas aquele que tem capacidade e disposição para continuar aprendendo. Essa parceria nos permite aproximar necessidade do negócio, educação e desenvolvimento de pessoas”, destaca Rhayane.

Qualificação e desenvolvimento local

Em Almas, no sudeste do Tocantins, a parceria com a Aura também utiliza a educação profissional como estratégia para preparar trabalhadores e ampliar a qualificação disponível na região.

Mais de 42% da mão de obra da empresa é formada por profissionais de Almas, Porto Alegre do Tocantins e Dianópolis. Entre as funções com maior demanda estão operadores de processos, mecânicos e eletricistas industriais.

De acordo com a analista de RH de Treinamento e Desenvolvimento da Aura Almas, Leandra Duarte, a parceria com o SENAI já contemplou cursos técnicos em Segurança do Trabalho e Informática, além de cursos considerados porta de entrada para a operação.

A atuação, segundo ela, também busca ir além das necessidades imediatas da mineração. A proposta envolve a qualificação da mão de obra local em parceria com o Sistema FIETO e o município, inclusive por meio de iniciativas voltadas à diversificação das oportunidades econômicas e ao desenvolvimento de fornecedores. “Buscamos a qualificação da mão de obra local, em parceria com a FIETO e o município, para diversificar essa mão de obra, com cursos que vão além do impacto direto com a mineração, gerando um legado positivo para a região”, destaca Leandra.

Da formação à oportunidade profissional

É nesse contexto que aparece a história de Juliana Dias. Seu contato com a área começou por meio da Aprendizagem Industrial. Paralelamente, ela cursava o Técnico em Segurança do Trabalho pelo SENAI e, durante essa trajetória, surgiu uma oportunidade profissional relacionada à formação.

Hoje, Juliana atua como técnica de Segurança na WCA e utiliza na rotina profissional conhecimentos desenvolvidos durante o curso. “Hoje consigo colocar na prática aquilo que aprendi na teoria. Acredito que essa parceria entre a Aura e o SENAI representa uma oportunidade muito boa para outras pessoas, assim como foi para mim”, relata.

A experiência de Juliana e a trajetória de Lázaro acontecem em setores diferentes e em momentos profissionais distintos, mas ajudam a mostrar como a formação técnica pode assumir papéis diversos: ser uma porta de entrada para o trabalho, preparar profissionais para funções especializadas ou fornecer a base para que trabalhadores assumam novos desafios ao longo da carreira.

Para Lázaro, que hoje ocupa uma função de liderança depois de iniciar sua formação profissional no SENAI, a experiência também deixa uma mensagem para quem ainda está começando. “Minha trajetória mostra que o curso técnico não é um gasto, é um investimento que muda sua vida. Para quem está começando, meu conselho é: invista em qualificação, leve a sério a teoria e a prática e respeite as normas de segurança. O conhecimento é a única coisa que ninguém tira de você e que você leva para a vida toda.”

Nas parcerias com Energisa e Aura, as necessidades específicas de cada setor orientam diferentes estratégias de formação. De um lado, a preparação de profissionais para acompanhar as transformações do setor elétrico. Do outro, a qualificação da mão de obra do território onde está inserida a operação mineral. Em comum, está a aproximação entre educação e trabalho e a aposta na formação profissional como instrumento para desenvolver pessoas e atender às demandas do setor produtivo.

Como resume Rhayane, “desenvolver pessoas é, no fim, construir futuros.”

Brener Nunes

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins