HGP recebe a certificação Diamante, considerada o mais alto nível de reconhecimento do Angels Awards - Crédito: Andrè Araújo/Governo do Tocantins
HGP recebe a certificação Diamante, considerada o mais alto nível de reconhecimento do Angels Awards - Crédito: Andrè Araújo/Governo do Tocantins

Após médicos denunciarem que pacientes do Hospital Geral de Palmas (HGP) estão aguardando mais de 72 horas para realizar hemodiálise, a Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) informou que trabalha para ampliar a capacidade de atendimento renal na rede pública. As medidas incluem a abertura de um novo serviço em Porto Nacional e a ampliação das vagas em Palmas e Gurupi, mas ainda não há prazo definido para a implementação.

A manifestação do governo ocorre após o Sindicato dos Médicos no Estado do Tocantins (SIMED-TO) alertar para a falta de equipamentos e as dificuldades enfrentadas pelas equipes de nefrologia do HGP. Segundo a entidade, pacientes em estado grave estariam sem acesso ao tratamento prescrito, situação que representaria risco de morte.

Em resposta à Gazeta do Cerrado, a SES informou que pretende disponibilizar dez cadeiras de hemodiálise em Porto Nacional, por meio da Santa Casa. Também estão previstas três cadeiras adicionais no HGP e quatro no Hospital Regional de Gurupi (HRG).

Ao todo, as propostas representam 17 novas cadeiras para atendimento renal no estado.

Entretanto, a ampliação das unidades de Palmas e Gurupi ainda depende de investimentos da Pró-Rim, empresa responsável pela prestação dos serviços de hemodiálise nos dois hospitais.

Segundo a secretaria, as condições contratuais necessárias para a expansão já foram disponibilizadas, e as negociações com a empresa continuam. Entre as alternativas discutidas está o aumento dos turnos de atendimento.

A SES também informou que busca outros prestadores para ampliar a oferta de Terapia Renal Substitutiva (TRS). O credenciamento estadual permanece aberto para empresas interessadas em prestar o serviço.

Sindicato alerta para pacientes sem tratamento

A denúncia que motivou os questionamentos à secretaria foi divulgada pelo SIMED-TO, que manifestou apoio aos médicos nefrologistas do HGP.

De acordo com o sindicato, há pacientes com indicação de hemodiálise há mais de 72 horas que ainda não conseguiram realizar o procedimento por falta de vagas.

A entidade também aponta dificuldades no atendimento de pacientes graves, especialmente daqueles que não podem ser transportados do pronto-socorro até o setor de hemodiálise, localizado no térreo do hospital.

Segundo os profissionais, a ausência de equipamentos de osmose reversa, utilizados na purificação da água, e de estrutura adequada para realizar hemodiálise à beira-leito compromete o atendimento de pacientes instáveis.

O sindicato cita situações de risco envolvendo pessoas com hipercalemia grave, caracterizada pelo excesso de potássio no sangue, e insuficiência respiratória.

Entre as providências cobradas estão a aquisição de máquinas, ampliação das vagas, contratação de profissionais especializados e implantação de estrutura para atendimento à beira-leito.

Governo afirma que casos emergenciais recebem assistência

Na nota encaminhada à reportagem, a SES afirmou que pacientes com necessidade de atendimento emergencial continuam recebendo assistência especializada, conforme avaliação das equipes médicas.

A secretaria atribuiu o aumento da procura por hemodiálise ao crescimento da demanda por tratamento renal, especialmente entre pessoas com doenças crônicas, como hipertensão arterial e diabetes.

Apesar de anunciar medidas de expansão, o governo não informou quantos pacientes aguardam atualmente pelo procedimento no HGP, quantas máquinas estão em funcionamento ou quando as novas cadeiras estarão disponíveis.

A resposta também não esclareceu especificamente se o hospital dispõe de equipamentos de osmose reversa e estrutura para realizar hemodiálise à beira-leito em pacientes que não podem ser transportados.

A SES declarou que continuará trabalhando para ampliar a oferta de vagas e fortalecer a estrutura de atendimento renal no Tocantins.

O SIMED-TO, por sua vez, informou que poderá recorrer aos órgãos de controle para cobrar providências que garantam condições adequadas de trabalho aos profissionais e atendimento aos pacientes.

Brener Nunes

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins