Advogada Stella Bueno representa a defesa de Sabrina Feitosa - Foto: Instagram
Advogada Stella Bueno representa a defesa de Sabrina Feitosa - Foto: Instagram

A advogada Stella Bueno, que representa Sabrina da Silva Feitosa, mãe de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, afirmou nesta segunda-feira, 10, que a defesa pretende apresentar à Justiça o histórico de violência doméstica existente entre Sabrina e o pai da criança como parte fundamental para a compreensão do caso.

Em nota à imprensa, a advogada afirmou que a mãe será preservada de novas manifestações públicas neste momento diante da circulação de versões que, segundo ela, tentam atribuir a Sabrina parte da responsabilidade pela morte do próprio filho.

“A tentativa de inverter os papéis entre vítima e agressor não é apenas moralmente inaceitável. Ela reproduz exatamente uma das faces mais perversas da violência de gênero: a culpabilização da mulher.”
Segundo Stella Bueno, há registros oficiais de violência doméstica entre as partes desde 2023. A defesa sustenta que esses fatos não podem ser analisados separadamente da investigação sobre a morte de Gustavo.

A advogada também afirma que o caso deve ser analisado sob a perspectiva da chamada violência vicária, situação em que os filhos são utilizados como instrumento para atingir a mãe. O conceito está previsto na legislação brasileira, conforme a defesa, e é associado à violência de gênero.

“Aquilo que Sonia Vaccaro, criadora do conceito, definiu como ‘uma morte em vida’”, afirma a nota.

Defesa diz que mãe será preservada

A manifestação ocorre após a circulação de narrativas nas redes sociais que, segundo a defesa, tentam responsabilizar Sabrina pelo que aconteceu com o filho. Diante disso, o escritório informou que a mãe não fará novas manifestações públicas por enquanto.

A defesa afirmou ainda que continuará colaborando com as autoridades e que caberá à investigação separar os fatos documentados das especulações.

Stella Bueno também criticou conteúdos considerados superficiais sobre violência doméstica e seus efeitos nas relações familiares. Segundo ela, esse tipo de manifestação pode reforçar estigmas e contribuir para a culpabilização de mulheres vítimas de violência.

“Respeito à memória de Gustavo”

Ao final da nota, a advogada pediu que a exposição do caso não ultrapasse os limites do respeito à criança. “Acima de tudo, pedimos que a memória de Gustavo seja tratada com o respeito que uma criança de três anos merece”, afirmou.

A defesa pediu que sejam evitadas a exploração de imagens e a divulgação de detalhes que, segundo a advogada, apenas aumentariam o sofrimento da família.

A nota informa ainda que, a partir de agora, qualquer manifestação pública da defesa sobre o caso será feita exclusivamente por meio do escritório de Stella Bueno.

Gustavo foi encontrado morto na casa do pai, em Palmas. O pai da criança, Igor Gustavo Veloso de Souza, e a madrasta, Kathellen Moreira, estão presos preventivamente e são investigados pela morte do menino. A defesa de Sabrina afirma que o histórico de violência doméstica deve ser considerado na análise das circunstâncias que antecederam o crime.

Brener Nunes

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins

Jornalista formado pela Universidade Federal do Tocantins