
As memórias, personagens e contradições de Porto Nacional ganham destaque no novo livro do escritor, historiador e jornalista Edivaldo Rodrigues. Intitulada “Ladainhas, Benditos e Cabarés”, a obra marca o 16º trabalho literário do autor e reúne 20 crônicas inspiradas no cotidiano da sociedade portuense, costurando histórias que transitam entre a religiosidade, a boemia e os costumes populares.
Segundo Edivaldo Rodrigues, o livro foi construído a partir de elementos históricos, sociais, políticos, econômicos e culturais que ajudam a compreender a formação da identidade portuense. Em tom bem-humorado e com forte linguagem coloquial, as crônicas retratam hábitos, crenças, vícios, festas e segredos de uma cidade marcada pelo encontro entre o sagrado e o profano.
“Esse conjunto de crônicas foi moldado como histórias e causos que mostram uma Porto Nacional cheia de hipocrisias, devassidão cotidiana e personagens que têm ligação direta com a realidade da nossa gente”, destaca o escritor.
Nas páginas da obra, o leitor é conduzido por diferentes épocas da cidade, passando por becos, praças, bares, cabarés, igrejas e terreiros. Entre jogos, bebedeiras, paixões e promessas de salvação, os personagens revelam os contrastes de uma comunidade que, segundo o autor, sempre conviveu entre a fé religiosa e a libertinagem silenciosa.

Edivaldo Rodrigues afirma ainda que “Ladainhas, Benditos e Cabarés” apresenta figuras inspiradas na própria população portuense, personagens que ajudaram a construir a história política, social e cultural da cidade desde os tempos de sua fundação, em 1738.
O escritor contou que as crônicas foram produzidas ainda em 2020 e finalizadas em 2021, mas o lançamento acabou adiado por conta da publicação de outras obras lançadas nos últimos anos.
Desta vez, o lançamento terá um formato diferente. Em vez de auditórios e eventos literários, a tarde de autógrafos deve acontecer no tradicional Bar Central, em Porto Nacional, reunindo frequentadores da boemia local e até personagens que inspiraram as histórias do livro.
“Quero lançar esse livro no meio do povo, em um ambiente popular e cheio de memória afetiva. O Bar Central faz parte da história de Porto Nacional e também da minha própria trajetória”, afirma o autor.
Edivaldo lembra que cresceu frequentando aquela região da cidade, onde viveu experiências marcantes da adolescência e juventude. “Foi ali que dei minhas primeiras tacadas em mesa de sinuca, experimentei meu primeiro picolé e tomei minha primeira cerveja. Aquela região ajudou a moldar quem eu sou hoje”, relembra.