Vista aérea mostra desmatamento na Amazônia, próximo a Uruará, Pará - Foto: undefined
Vista aérea mostra desmatamento na Amazônia, próximo a Uruará, Pará - Foto: undefined

A Amazônia perdeu 693 mil hectares de vegetação em 2025, o menor desmatamento registrado na série histórica do MapBiomas. Mesmo com a redução, a derrubada atingiu principalmente áreas de vegetação primária, que responderam por 92% do total desmatado no ano.

Os dados integram a Coleção 11 do levantamento, que acompanha as mudanças na cobertura e no uso da terra entre 1985 e 2025. O estudo aponta que a expansão da agropecuária e a ocupação próxima às estradas continuam a pressionar a vegetação do bioma.

Em quatro décadas, a Amazônia perdeu 54,7 milhões de hectares de vegetação nativa. No mesmo período, a área utilizada pela agropecuária aumentou 440%.

Ocupação próxima às estradas

A distribuição das atividades no território varia conforme a distância das vias. Na faixa de até cinco quilômetros das estradas, a agropecuária ocupa 40,2% da área, enquanto a vegetação nativa cobre 56,7%. Quando o recorte é ampliado para 20 quilômetros, essas proporções passam para 26,7% e 69,3%, respectivamente.

No entorno da BR-364, considerando uma faixa de 20 quilômetros, o uso agropecuário corresponde a 43,5% do território. Na BR-163, chega a 39%. Já nas proximidades da BR-319, a vegetação nativa permanece em 86% da área analisada.

A malha viária da Amazônia soma 618 mil quilômetros. Desse total, 41,5 mil quilômetros passam por áreas protegidas.

Pressão no entorno de territórios protegidos

Desde 1985, a agropecuária avançou 561% nas áreas de amortecimento de Unidades de Conservação, Terras Indígenas e territórios quilombolas. Atualmente, a atividade ocupa 31% dessas faixas de entorno.

Dentro dos territórios protegidos, a cobertura nativa permanece predominante, com 98% da área. Nas Terras Indígenas, a proporção é ainda maior: 98,9%.

Pastagens predominam após retirada da vegetação

A pastagem foi identificada em 77% dos casos como o primeiro uso após a conversão da vegetação nativa. Sua extensão cresceu 556% no período analisado e alcançou 50,8 milhões de hectares em 2025, o equivalente a 12% do bioma.

As lavouras também ganharam espaço. A área agrícola passou de 161 mil hectares, em 1985, para 8,6 milhões de hectares, em 2025. Nesse intervalo, a soja avançou de 1,4 mil hectares para 7 milhões de hectares.

A mineração, por sua vez, passou de 32 mil para 440 mil hectares, chegando a uma área quase 14 vezes maior. Quase metade dessa expansão ocorreu recentemente: 47% da área ocupada pela atividade foi aberta nos últimos dez anos.

Redução das áreas úmidas

Rios, lagos e florestas alagáveis também sofreram alterações. Entre 1985 e 2025, as áreas úmidas da Amazônia diminuíram 4,4%, uma perda de 2,7 milhões de hectares. Segundo o levantamento, 60% das áreas convertidas deram lugar a pastagens.

Os dez menores registros de extensão de áreas úmidas de toda a série histórica se concentraram na última década.

Amacro reúne 13% da perda de vegetação

Formada por municípios do Amazonas, Acre e Rondônia, a região da Amacro perdeu 7 milhões de hectares de vegetação nativa desde 1985. A redução de 16% na cobertura local corresponde a 13% de toda a perda registrada na Amazônia no período. A área de pastagem na região ficou 15 vezes maior.

O levantamento também mostra diferenças na conservação das porções do bioma presentes nos estados. O Tocantins apresenta a menor proporção de vegetação nativa remanescente nesse recorte, com 24,6%, seguido por Maranhão, com 49,8%; Rondônia, com 59,1%; e Mato Grosso, com 61,7%.

As maiores proporções estão no Amapá, com 95,5%; Amazonas, com 94,6%; e Roraima, com 92,3%. No Acre, a vegetação nativa remanescente corresponde a 84,2% da área analisada.