
A Justiça de Miracema do Tocantins determinou a prisão preventiva de 23 policiais militares investigados por suposto envolvimento em uma chacina ocorrida em 2022, que terminou com sete mortes. A decisão foi tomada pelo Colegiado de Juízes da 1ª Vara Criminal e também impôs uma série de medidas cautelares.
O caso teve início após a morte do policial militar Anamon Rodrigues de Sousa, durante um suposto confronto em uma área de plantação de mandioca. Logo depois, Manoel Soares da Silva e o filho dele, Edson Marinho da Silva, foram executados dentro de uma delegacia, após a invasão de um grupo encapuzado.
Na sequência dos crimes, Valbiano Marinho da Silva, também filho de Manoel e irmão de Edson, foi morto em sua residência. No dia seguinte, três corpos foram encontrados no loteamento Jardim Buriti. As vítimas foram identificadas como Aprigio Feitosa da Luz, Gabriel Alves Coelho e Pedro Henrique de Sousa Rodrigues.
Os policiais deverão se apresentar nesta sexta-feira (8) no Comando-Geral da Polícia Militar, em Palmas, e depois serão encaminhados à Delegacia-Geral da Polícia Civil.
Segundo a decisão, as acusações envolvem crimes graves como execuções sumárias, tortura e fraude processual, supostamente cometidos como forma de retaliação.
Os juízes Marcello Rodrigues de Ataídes, Renata do Nascimento e Silva e Valdemir Braga de Aquino Mendonça destacaram que a prisão preventiva é necessária para garantir a ordem pública e evitar interferências na investigação.
A Justiça também apontou risco de obstrução das investigações, com possibilidade de intimidação de testemunhas e destruição de provas.
Estrutura da ação
A Polícia Civil indica que os fatos ocorreram de forma coordenada entre os dias 4 e 5 de fevereiro de 2022, divididos em quatro episódios:
- Morte do sargento Anamon Rodrigues de Sousa durante confronto armado.
- Execução de Valbiano Alves Marinho, em frente à própria casa, sob custódia informal.
- Invasão da delegacia de Miracema e execução de Manoel Soares da Silva e Edson Marinho da Silva.
- Mortes no loteamento Jardim Buriti, com sequestro, tortura e execução de quatro jovens, com um sobrevivente.
Uso de estrutura pública e suspeita de ocultação de provas
A decisão judicial destaca que os crimes teriam sido praticados com uso de recursos públicos, como viaturas, armamentos e sistemas de comunicação oficiais.
As investigações também apontam suspeita de retirada de HDs de câmeras de segurança, possível simulação de furto dos equipamentos e indícios de adulteração em sistemas de rastreamento de viaturas, além do desligamento de celulares para encobrir deslocamentos.
Medidas cautelares determinadas
Além da prisão preventiva, a Justiça impôs:
- Afastamento imediato das funções
- Suspensão de porte e posse de armas
- Proibição de acesso a unidades policiais
- Proibição de contato com vítimas, familiares e investigadores