Do PT ao PSOL: Witer Naves confirma pré-candidatura ao Governo e defende nova rota para o Tocantins; “seremos uma candidatura genuinamente de esquerda”

O professor e geógrafo Witer Naves confirmou, em entrevista à Gazeta do Cerrado, sua pré-candidatura ao Governo do Tocantins pelo PSOL e afirmou que o partido pretende entrar na disputa com chapa completa, incluindo candidaturas ao Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa.

Segundo ele, a decisão partiu de uma construção interna da legenda e busca apresentar ao eleitorado uma alternativa que, em suas palavras, represente uma esquerda “genuína” na corrida pelo Palácio Araguaia.

“Nossa candidatura nasce de uma decisão do partido. O PSOL decidiu que eu serei candidato a governador e nós teremos candidaturas ao Senado e também proporcionais, com nomes para deputado federal e estadual”, afirmou.

Witer disse que o projeto eleitoral do partido pretende se apresentar como contraponto ao que classificou como um cenário dominado por acordos tradicionais e estruturas políticas já conhecidas no estado. “Pelo que está se desenha, nós seremos uma candidatura genuinamente de esquerda. Não vejo outra candidatura com esse perfil colocada até aqui”, declarou.

Saída do PT e chegada ao PSOL

Na entrevista, Witer também falou sobre sua saída do PT, partido ao qual esteve filiado por mais de três décadas, e disse que a mudança para o PSOL foi resultado de um processo político amadurecido ao longo dos últimos anos.

Ele contou que vinha fazendo críticas internas desde 2018 e avaliou que o PSOL hoje se aproxima mais das concepções políticas e ideológicas que defende. “Tenho uma formação marxista e entendi que, do ponto de vista da coerência e do que acredito, o PSOL hoje se aproxima mais disso”, afirmou.

Segundo ele, a mudança não foi abrupta. “O ato de desfiliação foi um momento, mas a construção dessa decisão foi longa. Não foi algo de uma hora para outra”, disse.

Witer afirmou ainda que no novo partido encontrou espaço para contribuir com protagonismo político.“O partido me acolheu bem e eu vi a possibilidade de colaborar mais nesse processo.”

A filiação ao PSOL, segundo carta de apresentação encaminhada ao partido, também foi marcada por um discurso de fortalecimento da autonomia política da legenda e defesa da luta democrática e da justiça social.

Campanha com base na militância e no digital

Sobre a construção da pré-campanha, o professor disse que o PSOL pretende se apoiar na presença de filiados em várias regiões do Tocantins e também na comunicação digital.

Segundo ele, a própria trajetória como professor deve ser um dos ativos políticos da campanha. “O partido tem filiados no estado inteiro e a campanha será construída com ajuda desses filiados. E eu tenho um lastro político como professor. Já tive mais de 15 mil alunos e isso cria uma identidade importante”, afirmou.

Witer disse que a estratégia também passa por fortalecer presença nas redes. “Vamos trabalhar no digital, na mídia on, como todo candidato faz hoje, mas com uma construção coletiva.”

Críticas ao cenário político

Ao analisar a pré-disputa ao governo, Witer fez críticas ao modelo político que enxerga no Tocantins e disse que o estado precisa discutir um projeto de futuro.

Para ele, o debate atual ainda é muito marcado por relações de poder tradicionais e pouco centrado em propostas estruturantes. “O cenário que está posto é muito marcado pelo poder econômico e por relações políticas subalternizadas. A gente quer apresentar outro tom para essa eleição”, afirmou.

Ele criticou o que chamou de “amarrações políticas” entre prefeitos, parlamentares e candidatos majoritários. “Esses arranjos têm muito interesse individual e pouco compromisso coletivo”, disse.

Como proposta política, o pré-candidato afirmou defender um “pacto republicano” para o Tocantins, com maior participação dos municípios nas decisões estratégicas do estado.

“O Tocantins precisa ter uma rota definida. Há muito por fazer. Nossa candidatura vem nessa perspectiva de construir um pacto republicano para o estado.”

Em outro momento da entrevista, Witer disse que o eleitor precisa ir além do que chamou de repetição de velhos discursos. “Há candidaturas que reproduzem um discurso colonialista, de república velha. Nós queremos romper com isso.”

Trajetória acadêmica e política

Geógrafo de formação, Witer destacou que sua atuação acadêmica também dialoga com a proposta política que pretende levar para a campanha.

Ele é mestre em Geografia Eleitoral, com formação vinculada à Universidade Federal do Rio de Janeiro por meio do Procad, doutor em produção do espaço urbano de Palmas e professor do Instituto Federal do Tocantins, além de atuar na rede municipal.

Segundo ele, essa trajetória ajuda a compreender os desafios do estado para além do debate eleitoral “Entender o território e suas desigualdades é parte do que me trouxe até essa candidatura.”